Pesquisa busca ampliar produção de arroz com menor uso de água

Pesquisa busca ampliar produção de arroz com menor uso de água

Pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA) trabalham no desenvolvimento de variedades de arroz de terras altas com maior tolerância à falta de água. A pesquisa busca reduzir a dependência de sistemas irrigados e ampliar as possibilidades de cultivo do grão em diferentes regiões brasileiras.

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O trabalho é realizado pelo programa Melhor Arroz, criado em 2013 em parceria com a Embrapa Arroz e Feijão e a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). O foco está no desenvolvimento de linhagens produtivas, precoces, com qualidade de grãos e adaptadas a períodos de menor disponibilidade hídrica.

O arroz de terras altas, também conhecido como arroz de sequeiro, pode ser cultivado sem a manutenção permanente de áreas inundadas. Nesse sistema, a disponibilidade de água depende principalmente das chuvas, embora também possa haver irrigação suplementar.

Alternativa para diversificar as lavouras

Mais de 80% do arroz produzido no Brasil é proveniente de sistemas irrigados, concentrados principalmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins. Nesse cenário, o desenvolvimento de arroz de terras altas é estudado como alternativa para ampliar as áreas produtoras e reduzir a dependência de determinadas regiões.

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O Brasil produz aproximadamente 11 milhões de toneladas de arroz por ano, volume próximo ao consumo interno. A cultura também pode ser incorporada à rotação ou sucessão com soja, milho, feijão e trigo, ampliando as opções disponíveis aos produtores.

A diversificação pode ainda contribuir para o manejo de plantas daninhas, permitindo alternar estratégias de controle e culturas em áreas onde já existe resistência a determinados herbicidas.

Pesquisa busca maior tolerância à seca

Para enfrentar a limitação hídrica, pesquisadores da UFLA mantêm parceria com a Universidade de Arkansas, nos Estados Unidos, para estudar mecanismos relacionados à tolerância das plantas à seca.

Entre as ferramentas utilizadas está o CRISPR-Cas9, técnica de edição genética empregada para investigar genes relacionados às características desejadas nas plantas.

O programa já possui resultados em diferentes etapas de desenvolvimento. A linhagem CMG1590 está em fase final de registro no Ministério da Agricultura, enquanto outras dezenas de genótipos considerados de elite continuam sendo avaliados.

O Melhor Arroz atua desde 2013 no melhoramento genético da cultura, com pesquisas voltadas principalmente às condições de produção de Minas Gerais. A proposta é ampliar as alternativas para os produtores por meio de cultivares mais produtivas e tolerantes à falta de água, sem substituir necessariamente o modelo de cultivo irrigado.

Gessica Vieira

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