Angus aposta em touros melhoradores para elevar a qualidade da carne bovina no Brasil

A busca por uma pecuária cada vez mais eficiente e rentável passa, cada vez mais, pelo investimento em genética. Com esse objetivo, a Associação Brasileira de Angus iniciou um projeto inédito para identificar touros capazes de transmitir características superiores aos animais meio-sangue, fortalecendo o cruzamento industrial e elevando o padrão da carne produzida no país.
A iniciativa representa um novo passo para a pecuária de corte brasileira, especialmente em estados com forte presença da atividade, como Goiás. O cruzamento entre touros Angus e matrizes zebuínas, principalmente da raça Nelore, já é amplamente utilizado pelos produtores por reunir rusticidade, adaptação ao clima tropical e elevado potencial para produção de carne de qualidade.
Agora, o desafio é tornar essa seleção ainda mais precisa. O projeto utilizará análises genéticas e informações obtidas durante o abate para identificar quais reprodutores apresentam maior capacidade de gerar descendentes com melhor desempenho produtivo e características desejadas pelo mercado, como maior marmoreio, maciez, acabamento de carcaça e ganho de peso.
Na primeira etapa, serão coletadas cerca de seis mil amostras genéticas de bovinos meio-sangue participantes do Programa Carne Angus. Esses dados serão comparados com informações sobre rendimento e qualidade das carcaças, permitindo a criação de um banco de dados capaz de apontar os chamados “touros melhoradores”.
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A expectativa da entidade é divulgar os primeiros resultados em 2027. Em uma segunda fase, o banco genético deverá ser ampliado para aproximadamente dez mil animais, aumentando a precisão das avaliações e oferecendo ao produtor uma ferramenta ainda mais segura para a escolha dos reprodutores.
Segundo a Associação Brasileira de Angus, a iniciativa poderá beneficiar toda a cadeia produtiva da carne bovina. Com maior previsibilidade genética, o pecuarista terá mais chances de produzir animais que atendam aos padrões exigidos pelos programas de certificação, agregando valor à produção e aumentando a competitividade no mercado.
Além dos ganhos econômicos, o avanço genético também pode contribuir para uma produção mais sustentável. Animais geneticamente superiores costumam apresentar melhor conversão alimentar e atingem o peso ideal para o abate em menos tempo, reduzindo custos de produção e aumentando a eficiência dos sistemas pecuários.
Reflexos para Goiás
O projeto também desperta atenção de produtores do sudoeste goiano, região reconhecida pela força da pecuária de corte. Municípios como Jataí, Rio Verde, Mineiros, Caiapônia e Chapadão do Céu utilizam cada vez mais tecnologias voltadas ao melhoramento genético para aumentar a produtividade das fazendas e atender às exigências dos mercados nacional e internacional.
A adoção de reprodutores com genética comprovada pode representar ganhos importantes em qualidade da carne, desempenho dos animais e rentabilidade das propriedades, consolidando a região como referência na produção pecuária de alto padrão.
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