“Goiás dá Sorte” é suspeita de lavagem de dinheiro

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A Polícia Federal (PF), por meio da Operação Trevo, desarticulou ontem uma quadrilha que agia em 13 Estados, inclusive Goiás, e movimentou mais de R$1 bilhão com loterias, jogo do bicho, caça-níqueis e títulos de capitalização. Entre as empresas envolvidas no esquema criminoso está a Goiás dá Sorte.

Com a participação de 300 policiais, o trabalho da PF resultou no cumprimento de 12 mandados de prisão temporárias, 24 de prisão preventiva, 57 mandados de busca e apreensão, 47 mandados de sequestro de valores, de bens em imóveis e automóveis de luxo.

Entre os mandados de busca e apreensão, um deles foi para a sede do Goiás dá Sorte, que fica no setor Coimbra, em Goiânia. A empresa comercializava há anos títulos de capitalização em todo o Estado. No local foram apreendidos computadores, documentos contábeis e ainda uma caixa com e R$355 mil em espécie. Os agentes da PF permaneceram no local e os funcionários foram impedidos de acessar o prédio.

Segundo o delegado Eduardo Scherer, o Goiás dá Sorte é um representante da empresa Aplub, que emite títulos de capitalização. Conforme ele, os valores arrecadados com a venda desses títulos deveriam ser revertidos para instituições beneficentes, “mas o que tem sido apurado é que isso não vinha sendo feito”, destaca.

De acordo com Scherer, a emissão de novos títulos foi suspenda e, conforme decisão judicial, o Goiás dá Sorte deve suspender as suas atividades. A reportagem entrou em contato com a Aplub, no Rio Grande Sul, que nos encaminhou para a Goiás dá Sorte. No entanto, no número repassado, a ligação caiu no atendimento eletrônico.

Entidades

A organização criminosa operava por meio de loterias estaduais, cujos valores arrecadados eram repassados a entidades filantrópicas de fachada, fazendo com que o dinheiro ilícito retornasse ao grupo em procedimento suspeito, com fortes indícios de lavagem de dinheiro. A empresa Pernambuco dá Sorte é suspeita de comandar todo o esquema.

Além dos Estados de Goiás e Pernambuco, as investigações se estenderam por Alagoas, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande de Sul. O trabalho de levantamento das informações contaram com o apoio da Superintendência de Seguros Privados e da Receita Federal.

Quadrilha atuava em diferentes ramos

Segundo a Polícia Federal, a quadrilha agia em vários segmentos. Em um deles, em São Paulo, o grupo era responsável pelo fornecimento de máquinas eletrônicas programáveis (caça-níqueis) tanto para Pernambuco quanto para outros Estados e até para o exterior.

Outro ramo, ainda figurava como instituição financeira seguradora de incontáveis bancas de jogo do bicho no Nordeste, garantindo o pagamento dos prêmios e promovendo lavagem de dinheiro.

O tronco principal da organização registrou uma movimentação financeira de bilhões de reais e atuava tanto no jogo do bicho quanto na comercialização de bilhetes lotéricos ocultados em título de capitalização, em sua modalidade popular, apropriando-se dos valores que deveriam ser destinados para instituições beneficentes ou revertidos em capitalização.

De acordo com a PF, os investigados podem responder pela prática do crime de contrabando, crime contra o Sistema Financeiro Nacional, jogos de azar e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas ultrapassam o limite de 30 anos.

Fonte: O Hoje

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