China confirma surto de febre aftosa em suínos e acende alerta sanitário no mercado de carnes

China confirma surto de febre aftosa em suínos e acende alerta sanitário no mercado de carnes
Ocorrência de febre aftosa em suínos na China reforça a atenção do mercado internacional sobre a sanidade dos rebanhos.

Ocorrência reforça atenção sobre a sanidade dos rebanhos no maior produtor mundial de carne suína; Brasil mantém reconhecimento internacional como livre da doença sem vacinação

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A confirmação de um surto de febre aftosa em suínos na China volta a colocar a sanidade animal no radar do mercado internacional de proteínas. A ocorrência ganha relevância porque o país asiático concentra aproximadamente metade da produção mundial de carne suína e exerce forte influência sobre o comércio global do setor.

A febre aftosa é uma doença viral altamente contagiosa que afeta animais de casco fendido, como bovinos, suínos, ovinos e caprinos. A enfermidade não representa o mesmo tipo de ameaça à saúde humana, mas possui grande importância econômica e sanitária devido à facilidade de disseminação e às restrições comerciais que pode provocar.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades sanitárias chinesas e repercutidas pelo Canal Rural, medidas de controle foram adotadas após a identificação da ocorrência.

Para o agronegócio brasileiro, a notícia merece acompanhamento principalmente pelo peso da China no mercado internacional de carnes e pelo momento sanitário vivido pelo Brasil.

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 Brasil conquistou status sanitário importante

O cenário chinês contrasta com um avanço recente da defesa agropecuária brasileira.

O Brasil conquistou o reconhecimento internacional como *país livre de febre aftosa sem vacinação*, condição que fortalece a imagem sanitária da pecuária brasileira e pode facilitar negociações para acesso a mercados mais exigentes.

A própria China reconheceu, em junho deste ano, todo o território brasileiro como livre da doença sem vacinação. A decisão representou um avanço especialmente importante para a cadeia de proteína animal.

Na suinocultura, o setor brasileiro busca justamente aproveitar esse novo status para ampliar o acesso ao mercado chinês e avançar nas negociações envolvendo produtos como miúdos suínos.

China tem peso enorme na suinocultura mundial

Qualquer ocorrência sanitária envolvendo os rebanhos chineses recebe atenção internacional devido ao tamanho da produção do país.

A China é simultaneamente o maior produtor e o maior consumidor de carne suína do planeta. Alterações relevantes na produção chinesa podem modificar sua necessidade de importação e produzir reflexos sobre diferentes países exportadores.

Isso já ficou evidente durante os grandes surtos de peste suína africana registrados a partir de 2018, quando a redução do rebanho chinês modificou profundamente o comércio internacional de carne suína.

A situação atual envolvendo febre aftosa, entretanto, não deve ser comparada automaticamente àquele episódio. A confirmação de um surto não significa, por si só, que haverá redução significativa do rebanho chinês ou aumento das importações.

A dimensão da ocorrência e a capacidade das autoridades chinesas de controlar sua disseminação serão determinantes.

Mercado brasileiro acompanha os desdobramentos

O Brasil ocupa atualmente uma posição de destaque no comércio mundial de carne suína e vem ampliando a diversificação dos destinos de suas exportações.

Para os produtores, a ocorrência na China reforça principalmente a importância da biosseguridade e da manutenção do status sanitário conquistado pelo país.

Goiás também tem interesse direto nessa discussão. Com produção de suínos e presença relevante da cadeia de grãos utilizada na alimentação animal, o estado pode se beneficiar de avanços comerciais conquistados pela proteína brasileira.

Por enquanto, o ponto central é sanitário. Não há base para afirmar que o surto chinês provocará aumento imediato das exportações brasileiras ou mudança nos preços pagos ao produtor.

O mercado deverá acompanhar a evolução da ocorrência, eventuais novos casos e as medidas adotadas pela China para impedir a disseminação da doença.

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Isabelle Sousa de Assis

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