Custo da alimentação cai, mas lucro do confinamento recua no Centro-Oeste

Gasto alimentar diminuiu 9,38% em agosto, mas maior tempo de cocho e menor produção por animal elevaram o custo da arroba
A redução dos gastos com alimentação do gado não foi suficiente para melhorar a rentabilidade dos confinamentos no Centro-Oeste em agosto. Mesmo com uma queda de 9,38% no custo alimentar, outros fatores ligados ao desempenho dos animais pressionaram o resultado da atividade.
Segundo o Índice de Custo Alimentar Ponta (Icap), o gasto com alimentação na região recuou para R$ 11,89 por cabeça por dia, o segundo menor valor registrado em toda a série histórica do indicador.
A redução, entretanto, veio acompanhada de aumento do período de permanência dos animais no cocho e de uma menor produção de arrobas por cabeça.
Tempo de cocho aumentou para 107 dias
No Centro-Oeste, o período médio de cocho passou de 99 para 107 dias.
Ao mesmo tempo, a produção por animal caiu de 8,08 para 7,81 arrobas.
Essa combinação fez com que o custo da arroba produzida avançasse 11,07%, chegando a R$ 200,61.
A lucratividade também sentiu o impacto. O resultado recuou 13,63% em agosto, ficando em R$ 983,18 por cabeça.
Os números mostram que a redução do preço da alimentação, isoladamente, não necessariamente representa aumento da margem do confinamento. O desempenho produtivo e o período necessário para terminar os animais também interferem diretamente no custo final.
Dieta de terminação ficou mais barata
A principal contribuição para a redução do custo alimentar no Centro-Oeste veio da dieta utilizada na fase de terminação.
O valor recuou 8,45%, chegando a R$ 1.022,62 por tonelada de matéria seca. Foi o maior alívio mensal registrado na região em 2026.
Os ingredientes proteicos ficaram 24,85% mais baratos na ponderação, enquanto o DDG — coproduto rico em proteína obtido durante a fabricação de etanol de milho — atingiu o menor preço do ano.
Com isso, pela primeira vez desde fevereiro, a dieta de terminação do Centro-Oeste ficou mais barata que a registrada no Sudeste.
Na região Sudeste, o custo ficou em R$ 1.046,27 por tonelada de matéria seca, após redução de 1,96%.
Sudeste apresenta maior rentabilidade
Apesar de o Centro-Oeste ter conseguido reduzir mais fortemente o custo da alimentação, o Sudeste apresentou desempenho superior na rentabilidade.
A lucratividade na região aumentou 1,59%, chegando a R$ 1.163,88 por cabeça, maior resultado desde abril.
A diferença de rentabilidade entre as duas regiões chegou a R$ 180,70 por cabeça, a maior registrada no ano.
No chamado boi China, a lucratividade ficou em R$ 1.235,16 por cabeça no Sudeste, contra R$ 1.026,13 no Centro-Oeste.
O Icap é calculado a partir de dados coletados pela Tecnologia de Gestão de Confinamento (TGC), responsável pelo gerenciamento de cerca de 57% das cabeças confinadas no país.
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