El Niño pode ser um dos mais intensos desde 1950 e acende preocupação para a safra 2026/27

O agronegócio brasileiro acompanha com atenção as mais recentes projeções climáticas para os próximos meses. Modelos internacionais indicam que o fenômeno El Niño pode atingir intensidade muito forte até o fim de 2026, cenário que eleva a preocupação de produtores, cooperativas e especialistas às vésperas do plantio da safra 2026/27.
De acordo com previsões do Centro de Previsão Climática (CPC), ligado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe uma probabilidade elevada de que o fenômeno se fortaleça entre outubro e dezembro. Caso as projeções se confirmem, este poderá ser um dos episódios mais intensos registrados desde o início da série histórica moderna, em 1950.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, provocando mudanças nos padrões de circulação da atmosfera. Como consequência, o regime de chuvas sofre alterações em diferentes partes do mundo, influenciando diretamente a produção agropecuária.
No Brasil, os efeitos costumam variar conforme a região. Enquanto parte da Região Sul pode registrar volumes de chuva acima da média, áreas do Centro-Oeste, Norte e Nordeste podem enfrentar períodos de estiagem, temperaturas mais elevadas e irregularidade na distribuição das precipitações. Essas condições podem comprometer o desenvolvimento das lavouras e dificultar o planejamento das atividades no campo.
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Atenção para o sudoeste goiano
Em Goiás, especialmente no sudoeste do estado, onde municípios como Jataí, Rio Verde, Mineiros, Montividiu e Chapadão do Céu concentram uma das maiores produções de grãos do país, o comportamento das chuvas durante o início da safra é decisivo para o desempenho das lavouras.
Caso o fenômeno provoque atraso ou irregularidade nas precipitações, culturas como soja, milho e sorgo podem enfrentar dificuldades no plantio e no desenvolvimento inicial. Além disso, temperaturas mais elevadas aumentam a demanda hídrica das plantas e podem elevar os custos de produção com irrigação e manejo.
Especialistas ressaltam que ainda é cedo para prever os impactos exatos em cada região, mas reforçam que o monitoramento climático será essencial durante os próximos meses. O acompanhamento das atualizações meteorológicas permitirá que produtores ajustem o calendário de plantio, o manejo das lavouras e as estratégias de gestão de risco conforme a evolução do fenômeno.
Além da agricultura, um El Niño de forte intensidade também pode afetar a pecuária, reduzindo a disponibilidade de pastagens em regiões mais secas e aumentando a necessidade de suplementação alimentar para os rebanhos.
Diante desse cenário, entidades do setor orientam os produtores a intensificarem o planejamento da próxima safra, acompanhando boletins meteorológicos e adotando medidas que aumentem a resiliência das propriedades frente às possíveis oscilações climáticas.
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