Alta na tarifa de energia pressiona custos do agronegócio e preocupa produtores rurais em todo o país

Os reajustes nas tarifas de energia elétrica aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ao longo de 2026 acenderam um sinal de alerta no agronegócio brasileiro. Em diferentes estados, produtores rurais passaram a enfrentar aumentos que impactam diretamente os custos de produção, especialmente em atividades que dependem de energia de forma contínua.
Para consumidores rurais atendidos em baixa tensão, os reajustes variam de pouco mais de 3% até quase 23%, conforme a distribuidora responsável por cada região. O aumento chega em um momento de margens apertadas para o setor, que já convive com custos elevados de insumos, combustíveis, manutenção de máquinas e logística.
Entre as atividades mais afetadas estão os sistemas de irrigação, a armazenagem de grãos, a avicultura, a suinocultura, a pecuária leiteira, a piscicultura e as agroindústrias. Nesses segmentos, a energia elétrica é essencial para manter equipamentos em funcionamento durante todo o processo produtivo, tornando qualquer reajuste um fator relevante para a rentabilidade das propriedades.
Um dos casos que mais repercutiram ocorreu no Paraná. A Aneel aprovou um reajuste de 20,51% na tarifa da Companhia Paranaense de Energia (Copel), percentual superior ao inicialmente projetado durante a análise da agência reguladora.
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A decisão provocou reação do Sistema Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), que classificou o aumento como excessivo e iniciou uma mobilização para buscar alternativas capazes de reduzir os impactos sobre os produtores rurais.
Segundo a entidade, o reajuste ocorre em um cenário em que muitos agricultores ainda enfrentam problemas recorrentes no fornecimento de energia elétrica, incluindo interrupções que comprometem a produção e geram prejuízos financeiros em diversas propriedades.
A federação também argumenta que o percentual autorizado supera a inflação registrada em 2025, sem que tenha sido observada uma melhoria equivalente na qualidade do serviço prestado aos consumidores do meio rural.
Como parte das ações anunciadas, a entidade informou que pretende buscar apoio político para discutir o tema junto à Aneel, na tentativa de encontrar mecanismos que reduzam os impactos financeiros provocados pelos novos reajustes.
Reflexos para o agronegócio
Embora os índices variem entre as distribuidoras de energia do país, o aumento das tarifas preocupa representantes do setor agropecuário. A energia elétrica é considerada um insumo estratégico para a produção moderna e exerce papel fundamental na competitividade do agronegócio brasileiro.
No sudoeste de Goiás, uma das principais regiões produtoras de grãos e proteína animal do país, produtores acompanham a evolução dos reajustes com atenção. Caso novos aumentos sejam autorizados para as concessionárias que atendem o estado, os custos operacionais poderão sofrer novos impactos, especialmente em propriedades com alto consumo de energia.
Especialistas destacam que a eficiência energética e investimentos em fontes alternativas, como sistemas de geração solar, tendem a ganhar ainda mais importância como estratégia para reduzir despesas e aumentar a previsibilidade dos custos nas propriedades rurais.
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