Goiás registra menor número de nascimentos da série histórica

Goiás registra menor número de nascimentos da série histórica

Goiás registrou em 2024 o menor número de nascimentos desde o início da série histórica, em 2003. Foram 79.099 nascidos vivos no estado, resultado que reforça uma transformação demográfica marcada pela redução da fecundidade e por mudanças no momento em que os goianos formam suas famílias.

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Em 2023, Goiás havia registrado 81.869 nascimentos. De um ano para o outro, portanto, foram 2.770 nascimentos a menos, uma redução de aproximadamente 3,4%.

Quando a comparação é feita com 2003, primeiro ano da série, a mudança se torna ainda mais evidente. Naquele ano, foram registrados 90.825 nascimentos em Goiás. Em pouco mais de duas décadas, o estado passou a registrar cerca de 11,7 mil nascimentos a menos por ano, uma redução próxima de 13%.

Os números fazem parte de um movimento demográfico que também ocorre no restante do país e que envolve não apenas a quantidade de filhos, mas mudanças na idade em que homens e mulheres decidem casar e constituir família.

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Mulheres têm menos filhos em Goiás

Outro indicador ajuda a dimensionar essa transformação. A taxa de fecundidade em Goiás chegou a 1,57 filho por mulher em 2022, ficando abaixo do chamado nível de reposição populacional, estimado em aproximadamente 2,1 filhos por mulher.

O nível de reposição representa, de maneira simplificada, a quantidade média de filhos necessária para que uma geração seja substituída pela seguinte, desconsiderando outros componentes da dinâmica populacional, como a migração.

A redução da fecundidade não é um fenômeno exclusivamente goiano. O Brasil atravessa há décadas uma mudança em seu perfil demográfico, com famílias menores e envelhecimento progressivo da população.

 Maternidade também acontece mais tarde

Além de terem menos filhos, as mulheres também estão concentrando os nascimentos em idades mais avançadas.

Em Goiás, a idade média da fecundidade chegou a 27,8 anos.

Esse indicador não deve ser confundido com a idade média em que uma mulher tem o primeiro filho. Ele considera a distribuição dos nascimentos pelas diferentes idades das mulheres e ajuda a mostrar como a maternidade vem se deslocando para faixas etárias mais elevadas.

A mudança está relacionada a diferentes transformações sociais ocorridas nas últimas décadas, entre elas maior participação feminina no mercado de trabalho, ampliação da escolaridade e mudanças na organização e no planejamento das famílias.

Casamentos não desapareceram, mas perfil mudou

Os dados sobre casamento mostram um cenário diferente daquele observado nos nascimentos.

Em Goiás, foram registrados 32.518 casamentos civis em 2023 e aproximadamente 33,6 mil em 2024. Ou seja, os números não sustentam a conclusão de que os goianos simplesmente estejam deixando de casar.

O que vem mudando é principalmente a idade em que essas uniões acontecem e a própria forma de constituição das famílias.

As uniões consensuais, por exemplo, ganharam espaço no país. Dados nacionais indicam que elas representam 38,9% das pessoas que vivem em união, enquanto os casamentos civil e religioso correspondem a 37,9%.

Esse movimento mostra uma transformação mais ampla nas relações familiares brasileiras, que vai além da realização formal do casamento.

 Brasil também registra queda nos nascimentos

A redução observada em Goiás acompanha uma tendência nacional.

O Brasil registrou 2.376.901 nascimentos em 2024, contra 2.523.267 no ano anterior. A diferença representa uma queda de aproximadamente 5,8% em apenas um ano.

Foi ainda o sexto ano consecutivo de redução dos nascimentos no país.

A continuidade desse movimento produz efeitos que ultrapassam o tamanho das famílias. Uma população com menos crianças e maior proporção de adultos e idosos modifica, ao longo do tempo, a demanda por escolas, serviços de saúde, habitação, previdência e mão de obra.

Outro indicador dessa transformação é a idade mediana da população. No Brasil, ela passou de 29 anos em 2010 para 35 anos em 2022. No Centro-Oeste, avançou de 28 para 33 anos no mesmo período.

Os dados revelam, portanto, uma mudança estrutural: as famílias estão menores, os nascimentos diminuem e a população brasileira envelhece.

Para Goiás, o recorde negativo de nascimentos registrado em 2024 é mais um sinal de que essa transformação demográfica já está em curso no estado.

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Isabelle Sousa de Assis

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