Após 20 anos, Embrapa registra pera mais resistente a doenças

Após cerca de duas décadas de pesquisas, a Embrapa registrou uma nova cultivar de pera desenvolvida especialmente para as condições de produção do Sul do Brasil. Batizada de BRS Áurea, a variedade reúne resistência a doenças, potencial produtivo e características favoráveis para o mercado de frutas frescas.
A cultivar foi desenvolvida pela Embrapa Uva e Vinho, no Rio Grande do Sul, a partir do cruzamento entre as variedades asiática Hosui e europeia Abate Fetel. O cruzamento ocorreu em 2006, em Vacaria, e o registro no Ministério da Agricultura foi realizado em maio de 2025.
Resistência pode reduzir pressão sobre o cultivo
Um dos principais diferenciais da BRS Áurea está na resistência à entomosporiose, doença considerada uma das mais prejudiciais à produção de peras. A cultivar também apresentou resistência à sarna-da-pereira e menor suscetibilidade à mosca-das-frutas em comparação com a pera Rocha.
Em testes realizados com infestação natural, apenas 10% dos frutos da BRS Áurea foram afetados pela mosca-das-frutas, contra 70% na cultivar Rocha. Em outro experimento, com exposição direta aos insetos, os índices foram de 40% para a nova variedade e 100% para a Rocha.
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Os pesquisadores, no entanto, ressaltam que a característica não elimina a necessidade de monitoramento e controle da praga. A resistência é considerada um fator que pode contribuir para tornar o sistema de produção mais eficiente.
Potencial de até 30 toneladas por hectare
Nos locais onde foi avaliada, a BRS Áurea apresentou produtividade estimada entre 25 e 30 toneladas por hectare. A colheita é considerada precoce e ocorre principalmente em janeiro, entre os dias 5 e 20.
A fruta apresenta tamanho médio a grande, com peso entre 145 e 190 gramas. Quando madura, a casca ganha tonalidade amarelo-alaranjada ou dourada. A polpa é branca, crocante e suculenta, com sabor equilibrado.
A antecipação da colheita também pode ajudar a ampliar a janela de comercialização da pera produzida no país. A variedade é recomendada para regiões que apresentam entre 400 e 600 horas de frio abaixo de 7,2 °C durante o inverno.
Fruta pode ser armazenada por meses
Outro ponto avaliado pelos pesquisadores foi o comportamento da pera após a colheita. Em condições experimentais, os frutos mantiveram boa qualidade depois de 90 dias em armazenamento refrigerado, seguidos por sete dias em temperatura de 20 °C.
Testes em atmosfera controlada indicaram ainda potencial de conservação por até 165 dias a 0,5 °C. A característica pode facilitar a distribuição e ampliar o período de oferta da fruta no mercado.
Apesar dos resultados, os frutos são considerados delicados e podem sofrer danos provocados por impactos durante a colheita e o transporte.
Nova opção para a fruticultura brasileira
A criação da BRS Áurea ocorre em um cenário de desafios para a produção nacional de peras. Segundo a Embrapa, o Brasil ainda não produz quantidade suficiente para atender toda a demanda interna, enquanto a irregularidade da produção e a qualidade dos frutos limitam a competitividade do setor.
A nova cultivar representa, portanto, mais uma alternativa genética para produtores de regiões com condições adequadas de cultivo. A combinação entre produtividade, resistência a doenças, colheita antecipada e capacidade de conservação pode contribuir para ampliar as possibilidades da produção brasileira de peras.
Para o agronegócio, o desenvolvimento também mostra como pesquisas de longo prazo podem gerar novas ferramentas para enfrentar problemas fitossanitários e melhorar a eficiência das lavouras.
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