Trump amplia cota de importação de carne para tentar reduzir preços nos EUA

Trump amplia cota de importação de carne para tentar reduzir preços nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou nesta quarta-feira (26) uma ampliação temporária da cota de importação de carne bovina magra. A medida tem como objetivo aumentar a oferta no mercado americano e tentar reduzir os preços pagos pelos consumidores.

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A decisão ocorre em um momento de forte pressão sobre o mercado de carne bovina dos Estados Unidos. A oferta de gado no país caiu para o menor nível em 75 anos, cenário associado principalmente aos efeitos de secas e incêndios sobre a atividade pecuária.

A nova medida amplia em 300 mil toneladas métricas a quantidade de aparas de carne bovina magra que poderá entrar nos Estados Unidos sem a cobrança de tarifas acima da cota. O produto é utilizado principalmente na fabricação de carne moída.

A ampliação terá caráter temporário. A decisão faz parte da estratégia do governo americano para aumentar a disponibilidade de matéria-prima e aliviar a pressão sobre os preços da carne no mercado interno.

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Impacto no mercado americano

O aumento da oferta busca atingir principalmente o mercado de carne moída, produto bastante consumido nos Estados Unidos.

Segundo a Casa Branca, a iniciativa foi adotada diante dos preços considerados elevados para os consumidores americanos. O governo também afirmou que a medida possui mecanismos para preservar a produção doméstica e dar tempo para a recuperação do rebanho americano.

A decisão, porém, não foi recebida de forma positiva por todo o setor pecuário americano.

Entidades que representam produtores rurais demonstraram preocupação com a entrada de carne estrangeira. A American Farm Bureau Federation, uma das principais organizações do setor agrícola dos Estados Unidos, afirmou que a redução das barreiras tarifárias pode prejudicar os pecuaristas americanos.

Brasil pode ganhar espaço?

A abertura temporária do mercado americano também chama atenção dos exportadores de carne bovina.

O governo Trump não detalhou, na proclamação, quais países serão os principais fornecedores beneficiados pela ampliação. Por isso, ainda não é possível afirmar qual será o impacto direto da medida sobre as exportações brasileiras.

O Brasil, no entanto, é um dos principais participantes do mercado mundial de carne bovina e acompanha de perto as mudanças nas regras de importação dos Estados Unidos.

Para os frigoríficos e produtores brasileiros, uma eventual ampliação das oportunidades de venda ao mercado americano poderá representar uma nova frente de demanda. O efeito concreto dependerá das condições comerciais, das tarifas aplicadas e das regras sanitárias para cada fornecedor.

Pressão sobre a cadeia produtiva

A decisão americana ocorre em um cenário de redução do rebanho e aumento dos preços da carne.

A menor disponibilidade de gado nos Estados Unidos elevou a pressão sobre frigoríficos e consumidores. Ao ampliar temporariamente as importações, o governo busca aumentar a oferta sem depender apenas da recuperação do rebanho nacional, que exige tempo.

A medida também reforça como mudanças na oferta de carne em grandes mercados consumidores podem provocar efeitos sobre o comércio internacional.

Para o agronegócio brasileiro, especialmente nos grandes polos produtores do Centro-Oeste, o movimento merece acompanhamento. Alterações na demanda internacional podem influenciar negociações, preços e estratégias de exportação ao longo da cadeia.

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Gessica Vieira

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