Safra recorde coloca energia inteligente no centro do agro brasileiro

Safra recorde coloca energia inteligente no centro do agro brasileiro

O avanço da produção agrícola brasileira está aumentando a pressão sobre uma área que nem sempre aparece nas discussões sobre produtividade: a infraestrutura elétrica.

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Com mais grãos chegando a silos, cooperativas, unidades de beneficiamento e agroindústrias, manter equipamentos funcionando de forma segura e contínua se tornou um ponto estratégico para o setor.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra brasileira de grãos 2025/26 alcance 360,8 milhões de toneladas, novo recorde histórico. O volume amplia a necessidade de estruturas capazes de receber, secar, transportar, armazenar e processar a produção.

Energia também virou fator de produtividade

Depois que os grãos deixam o campo, uma série de equipamentos passa a operar de forma intensa.

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Elevadores, secadores, ventiladores, esteiras e motores elétricos são fundamentais para movimentar e conservar a produção. Durante os períodos de maior recebimento, uma falha nesses sistemas pode interromper etapas importantes da operação.

É nesse cenário que tecnologias de monitoramento elétrico começam a ganhar espaço.

A proposta é identificar alterações no funcionamento dos equipamentos antes que elas evoluam para falhas capazes de provocar uma parada inesperada.

Manutenção deixa de ser apenas corretiva

Uma das principais mudanças está na utilização da chamada manutenção preditiva.

Em vez de esperar um equipamento apresentar defeito, sensores e sistemas conectados permitem acompanhar parâmetros de funcionamento e identificar sinais de desgaste ou comportamento fora do padrão.

Com essas informações, as equipes podem programar intervenções com antecedência e concentrar esforços nos equipamentos que apresentam maior risco.

A estratégia pode contribuir para reduzir interrupções e melhorar o aproveitamento dos ativos existentes.

Paradas podem comprometer toda a operação

O impacto de uma falha elétrica pode ultrapassar o equipamento que apresentou o problema.

Em uma unidade de armazenagem, por exemplo, uma interrupção em sistemas de secagem ou movimentação pode afetar o recebimento e o fluxo dos grãos.

Não existe, até o momento, um levantamento nacional consolidado que determine quanto as paradas não programadas custam especificamente para a agroindústria brasileira.

Um estudo internacional citado no levantamento, porém, mostra a dimensão que interrupções podem alcançar em ambientes industriais. A pesquisa da Fluke Corporation ouviu mais de 600 profissionais nos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha e apontou perdas médias expressivas relacionadas a paradas não planejadas. Os números não podem ser aplicados diretamente ao Brasil, mas ajudam a demonstrar o impacto potencial desse tipo de ocorrência.

Tecnologia amplia controle sobre os equipamentos

Painéis elétricos conectados e sistemas digitais permitem acompanhar informações operacionais em tempo real.

A partir desses dados, gestores conseguem ter maior visibilidade sobre as condições da instalação e identificar alterações que precisam ser investigadas.

Soluções desse tipo também podem integrar informações a plataformas de gestão, facilitando o acompanhamento da infraestrutura elétrica e o planejamento das manutenções.

O objetivo é transformar os dados coletados pelos equipamentos em informações úteis para a tomada de decisão.

Segurança acompanha a modernização

A digitalização da infraestrutura elétrica também está relacionada à segurança das instalações e dos profissionais que trabalham nesses ambientes.

Sistemas modernos de distribuição são desenvolvidos para atuar na proteção de equipamentos e operadores diante de falhas elétricas.

Além disso, projetos com arquitetura modular podem facilitar ampliações futuras, uma característica relevante para unidades agroindustriais que aumentam sua capacidade de processamento.

Sudoeste Goiano também sente essa pressão

No Sudoeste Goiano, onde a produção de grãos tem forte participação na economia regional, a eficiência da infraestrutura é diretamente ligada ao desempenho do agronegócio.

O crescimento da produção aumenta a necessidade de estruturas capazes de operar durante longos períodos, principalmente nas fases de colheita, recebimento e armazenamento.

Por isso, investimentos em automação, monitoramento e manutenção preventiva podem ganhar importância entre produtores, cooperativas e empresas ligadas ao processamento de grãos.

A transformação tecnológica do campo, portanto, não termina na máquina agrícola. Ela avança também para dentro dos silos, armazéns e indústrias.

Com safras cada vez maiores, evitar que a energia pare pode ser tão importante quanto aumentar a produtividade no campo.

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Gessica Vieira

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