Mudanças climáticas podem dobrar perdas na produção de arroz, alerta estudo internacional

As mudanças climáticas podem representar um risco ainda maior para a produção mundial de arroz do que se imaginava. Um estudo internacional publicado recentemente aponta que as perdas na produtividade da cultura podem ser mais que o dobro das estimativas feitas pelos modelos agrícolas tradicionais, acendendo um alerta para produtores, pesquisadores e governos.
A pesquisa, conduzida por cientistas do Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental, na Alemanha, com participação do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre Impactos Climáticos (PIK), comparou projeções computacionais com experimentos realizados em condições reais de cultivo. Os resultados mostraram que os modelos convencionais subestimam os efeitos das temperaturas elevadas sobre as plantações de arroz.
Segundo os pesquisadores, enquanto os modelos indicavam uma redução média de 3,8% na produtividade para cada aumento de 1°C na temperatura global, os experimentos de campo registraram perdas próximas de 8,1%, mais que o dobro da previsão inicial.
Calor extremo é o principal desafio
O estudo aponta que os episódios de calor intenso, especialmente quando as temperaturas ultrapassam os 30°C durante fases críticas do desenvolvimento da planta, são responsáveis por grande parte das perdas observadas.
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Esse tipo de estresse térmico compromete principalmente a fase reprodutiva do arroz, reduzindo a formação dos grãos e, consequentemente, a produtividade das lavouras. Em mais de 70% das áreas analisadas, o calor extremo respondeu pela maior parte da queda na produção.
Os pesquisadores defendem que os modelos climáticos utilizados para projetar a produção agrícola passem a incorporar de forma mais precisa os efeitos das ondas de calor, permitindo previsões mais confiáveis e estratégias de adaptação mais eficientes.
Regiões produtoras podem sentir impactos maiores
O levantamento também revisou as projeções para importantes regiões produtoras da Ásia. Em países como Índia, Paquistão e Bangladesh, as perdas estimadas aumentaram significativamente após a atualização dos modelos. O mesmo cenário foi observado em nações como Tailândia, Filipinas e Mianmar, onde o arroz desempenha papel essencial na alimentação da população e na economia agrícola.
Como o arroz é um dos alimentos mais consumidos do mundo, reduções na produtividade podem afetar a oferta global, pressionar preços e ampliar os desafios relacionados à segurança alimentar nas próximas décadas.
Reflexos para o Brasil e Goiás
Embora o Brasil não esteja entre os maiores produtores mundiais de arroz, a cultura possui importância estratégica para o abastecimento interno. Especialistas avaliam que os efeitos das mudanças climáticas reforçam a necessidade de investimentos em pesquisa, desenvolvimento de cultivares mais resistentes ao calor e adoção de práticas agrícolas capazes de reduzir os impactos das altas temperaturas.
Em Goiás, onde a produção agrícola tem forte peso na economia, o avanço das tecnologias de adaptação climática também ganha relevância. O monitoramento das condições meteorológicas, o melhoramento genético e o manejo sustentável tendem a ser cada vez mais importantes para manter a competitividade do agronegócio diante dos desafios impostos pelo clima.
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