Interage: Criação de polícia comunitária rural é destaque em debate na Faeg

Agronegócio
Integrando a mesa de debates, o coronel Victor Dragalzew, apresentou a Polícia Comunitária Rural. Foto - Larissa Melo
Integrando a mesa de debates, o coronel Victor Dragalzew, apresentou a Polícia Comunitária Rural. Foto – Larissa Melo

A insegurança nas áreas rurais do estado colocou o tema como ator principal do debate realizado semanalmente pela Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg). Sempre às sextas-feiras a entidade está realizando o Sistema Faeg Senar Interage, debate que pode ser acompanhado, ao vivo, via internet e durante o qual técnicos e especialistas se reúnem com convidados e debatem possíveis saídas para entraves enfrentados pelos setor agropecuário. Na manhã de desta sexta-feira (11), durante a 3ª edição do programa, o destaque foi para a criação do policiamento comunitário rural, que, segundo a Polícia Civil, vai diminuir, e muito, o número de casos de furtos e roubos registrados na zona rural.

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O encontro objetivou ainda, destacar a importância da proximidade entre a segurança pública e os setor rural, além de alertar quem vive nas áreas rurais sobre a importância de registrar o Boletim de Ocorrência sempre que houver algum tipo de infração, visto que só assim “a polícia conseguirá mapear o estado segundo o nível de criminalidade de cada região. Mediador do debate, o assessor jurídico da Faeg, Augusto César Andrade, recebeu na sede da entidade o Chefe do Estado Maior Estratégico da Polícia Militar (PM), coronel Victor Dragalzew, o delegado de Repressão a Crimes Ambientais (Dema), Alexandre Otaviano Nogueira, e o presidente da Comissão de Assuntos Fundiários e Segurança Rural da Faeg, José Caixeta. Produtores dos quatro cantos do estado participaram enviando perguntas e sugestões via internet.

Integrando a mesa de debates, o coronel Victor Dragalzew, apresentou a Polícia Comunitária Rural, que é responsável por fazer o monitoramento das propriedades localizadas fora da zona urbana. Ele contou que no ano passado houve um processo seletivo quando 497 policiais militares de todo o estado foram escolhidos para trabalhar diretamente com a zona rural. Todos eles passaram por uma capacitação, com base nos pilares do policiamento comunitário, e foram divididos de acordo com uma repartição do estado.

A ideia da polícia comunitária é trabalha em parceria com a população, entendendo que tanto a polícia quanto a comunidade são responsáveis por identificar, priorizar e resolver os problemas da comunidade. “No trabalho de segurança pública é fundamental a participação de todos os segmentos sociais. Nesse sentido, para que o policiamento rural tenha eficácia em suas ações é necessário que haja interação entre a polícia e a comunidade”. Dragalzew ainda destacou a visita de uma comitiva japonesa, que veio à Goiás para conhecer de perto o trabalho que vem sendo realizado pela Polícia Militar (PM) em relação ao policiamento comunitário.

Com a palavra, o homem do campo
Enquanto José Caixeta apresentou a preocupação dos produtores com a segurança das famílias, das propriedades e dos produtos e insumos, que são transportados por estradas goianas muitas vezes sem policiamento constante, o assessor técnica da Faeg, Augusto César, ratificou a apreensão da entidade e o trabalho que ela vem realizando junto ao homem do campo e aos Sindicatos Rurais (SRs).

“Também estamos constantemente em contato com as polícias, civil e militar, buscando alternativas não para combater, mas para evitar que os crimes rurais aconteçam. Fazemos questão de alertar aos produtores sobre medidas preventivas de segurança como, por exemplo, os cuidados no momento de transportar produtos e insumos. Com o início da safra o transporte de defensivos é comum e necessário, o que faz com que o homem do campo se torne um alvo ainda mais fácil”. Augusto ainda citou a criação do Batalhão Rural, que “veio para diminuir ainda mais a distância entre a polícia e o setor rural”. “O batalhão era um pleito antigo do presidente José Mário e hoje é motivo de comemoração para a Faeg. É o mecanismo mais rápido para dar sustentação e segurança tão necessárias para que o produtor desempenhe suas atividades”, completou Augusto.

O tom de comemoração é compartilhado por José Caixeta, que cita a importância de conscientizar o produtor sobre seu papel no combate à criminalidade rural. Ele destaca as reuniões periódicas que acontecem nos Sindicatos Rurais (SRs) e as caracteriza como uma das formas de orientar quem vive na zona rural. Além disse, Caixeta cita a Cartilha de Segurança Rural, lançada pela Faeg e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) Goiás no mês de fevereiro deste ano. O material traz as principais orientações de segurança para quem vive no campo. Além disso, contém também os contatos das 17 Delegacias Regionais da Polícia Civil, 18 Comandos Regionais da Polícia Militar e dos mais de 130 Sindicatos Rurais.

Casos frequentes
Para ilustrar a situação, o delegado de Repressão a Crimes Ambientais (Dema), Alexandre Otaviano Nogueira, também esteve na Faeg dando detalhes sobre a prisão que aconteceu no dia 10 deste mês, quando dois homens, de 58 e 40 anos, foram flagrados se passando por fiscais ambientais para extorquir fazendeiros em cidades de Goiás. Segundo Alexandre, eles visitavam as fazendas e diziam ter encontrado supostas irregularidades nas propriedades. “Eles se passavam por fiscais ou policiais e cobravam multas de até R$ 2 milhões dos produtores. A investigação se indicou após denúncias feitas para fiscais da Agrodefesa – Agência Goiana de Defesa Agropecuária -, quando vários fazendeiros reclamavam da atitude dos supostos policiais ambientais”. Durante sua participação no Interage, o delegado destacou o trabalho integrado entre as policias e as entidades representativas – no caso da prisão, a Agrodefesa – no combate aos crimes rurais.

Análise de mercado
Além do tema segurança rural, a 3ª edição do Interage foi placo de análises dos mercados do boi gordo, soja, milho e peixe.

Michelle Rabelo / Fotos: Larissa Melo

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