Inteligência Artificial pode transformar produção de ovos e reduzir descarte de pintinhos machos

A inteligência artificial começa a ganhar espaço em uma das etapas mais sensíveis da cadeia de produção de ovos. Pesquisadores desenvolveram uma tecnologia capaz de identificar o sexo dos embriões ainda dentro dos ovos, antes da eclosão, reduzindo a necessidade do descarte de pintinhos machos e trazendo avanços para o bem-estar animal e para a eficiência da avicultura.
O sistema utiliza imagens hiperespectrais combinadas com algoritmos de inteligência artificial para analisar características internas do ovo sem danificar a casca. A tecnologia permite identificar, com elevado grau de precisão, se o embrião dará origem a um macho ou a uma fêmea durante o período de incubação.
Na produção comercial de ovos, apenas as fêmeas são destinadas à postura. Os machos das linhagens poedeiras não apresentam desempenho adequado para produção de carne e, por isso, tradicionalmente acabam sendo descartados logo após o nascimento. A prática é alvo de debates em diversos países devido às questões relacionadas ao bem-estar animal.
Tecnologia pode reduzir custos e desperdícios
Além da questão ética, a identificação antecipada do sexo dos embriões pode representar ganhos econômicos para o setor. Com a seleção ainda durante a incubação, incubatórios deixam de investir recursos em ovos que não serão utilizados para a produção de galinhas poedeiras, reduzindo gastos com energia, espaço, alimentação e manejo.
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Os pesquisadores afirmam que a tecnologia também contribui para tornar o processo produtivo mais sustentável, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência das granjas comerciais.
Tendência já avança em outros países
Países europeus já adotam medidas para restringir ou proibir o descarte de pintinhos machos. Em mercados como Alemanha e França, tecnologias de sexagem “in ovo” vêm sendo incorporadas à cadeia produtiva para atender às exigências relacionadas ao bem-estar animal e à sustentabilidade da produção.
Embora ainda esteja em fase de expansão, a expectativa é de que soluções baseadas em inteligência artificial se tornem cada vez mais presentes na avicultura mundial, impulsionadas pela busca por maior produtividade e por práticas alinhadas às novas exigências dos consumidores.
Reflexos para o agronegócio brasileiro
O Brasil figura entre os maiores produtores e exportadores de proteína animal do mundo, e a avicultura tem papel estratégico na economia nacional. A adoção de tecnologias voltadas para inovação e sustentabilidade pode fortalecer ainda mais a competitividade do setor, especialmente em estados com forte produção agropecuária, como Goiás.
Especialistas avaliam que ferramentas baseadas em inteligência artificial tendem a ganhar espaço nas granjas brasileiras à medida que se tornam economicamente viáveis, contribuindo para uma produção mais eficiente e alinhada às tendências internacionais.
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