Goiás registra 4 mortes e mais de 500 acidentes com cobras em 4 meses e alerta autoridades de saúde

Goiás registra 4 mortes e mais de 500 acidentes com cobras em 4 meses e alerta autoridades de saúde

Goiás registrou quatro mortes e 584 acidentes com cobras entre janeiro e abril de 2026, acendendo um alerta para o aumento de ocorrências com animais peçonhentos no estado. Os dados refletem a preocupação das autoridades de saúde, principalmente diante da gravidade de alguns casos.

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Somente no Hospital de Doenças Tropicais (HDT), unidade de referência em Goiânia para esse tipo de atendimento, foram contabilizados 542 atendimentos relacionados a acidentes com animais peçonhentos neste ano. Desses, 170 envolveram cobras.

A jararaca lidera o número de ocorrências, com 122 casos registrados. O animal, classificado como botrópico, é conhecido por provocar dor intensa, inchaço e sangramentos. Segundo o Instituto Butantan, trata-se de uma espécie de hábito noturno que ataca por meio de bote ao se sentir ameaçada. O veneno varia conforme a idade da cobra: nos filhotes, possui ação mais anticoagulante, enquanto nos adultos provoca efeitos inflamatórios locais mais severos.

Já os acidentes com cascavéis somaram 26 ocorrências. Nesse caso, o veneno é neurotóxico e pode causar sintomas como visão turva e dificuldade para respirar. Diferente de outras espécies, a picada da cascavel pode não provocar dor intensa ou inchaço imediato, o que pode levar à subestimação da gravidade. No entanto, o risco é elevado, pois o veneno afeta o sistema nervoso e pode comprometer rapidamente os rins.

Também foram registrados 17 atendimentos relacionados a cobras não peçonhentas.

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Entre as vítimas está o autônomo Ramon dos Santos Nascimento, morador de Goiânia, que permanece internado há duas semanas após ser atacado por uma jararaca durante uma pescaria. Segundo ele, o acidente ocorreu de forma repentina. “Acho que pisei em cima dela, aí ela mordeu e segurou meu pé”, relatou. Ramon descreveu sensação de queimação imediata e cansaço intenso. Apesar de já ter recebido o soro antiofídico, ele afirma que o episódio deixou marcas emocionais. “Dá muito medo, fica o trauma”, disse.

Diante do aumento dos casos, especialistas reforçam a importância de buscar atendimento médico imediato em caso de picada e evitar práticas caseiras, que podem agravar o quadro. A recomendação é manter a calma, evitar movimentar o local atingido e procurar rapidamente uma unidade de saúde para aplicação do soro adequado.

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Gessica Vieira

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