Crise dos fertilizantes e El Niño podem encarecer arroz, café e trigo

A combinação entre a crise no mercado mundial de fertilizantes e a previsão de um ano marcado pelo El Niño acende um alerta para o agronegócio brasileiro. Especialistas avaliam que o aumento dos custos de produção, somado aos riscos climáticos, pode reduzir a produtividade de diversas lavouras e provocar alta nos preços de alimentos como arroz, café, trigo e laranja nos próximos meses.
O cenário começou a se agravar após a instabilidade geopolítica no Oriente Médio afetar a logística global de fertilizantes. O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte desses insumos, enfrentou interrupções que elevaram os preços e dificultaram o abastecimento em vários países. Como consequência, o Brasil reduziu as importações de alguns fertilizantes, especialmente os fosfatados e a ureia.
Além do custo mais elevado, muitos produtores enfrentam dificuldades para financiar a compra de insumos. Segundo analistas do setor, agricultores com menor acesso ao crédito podem reduzir a adubação das lavouras. Essa decisão tende a comprometer a produtividade e a qualidade das colheitas, principalmente em culturas de menor rentabilidade.
Ao mesmo tempo, a previsão de um forte El Niño aumenta a preocupação. O fenômeno climático pode provocar secas prolongadas em algumas regiões e excesso de chuvas em outras, prejudicando o desenvolvimento das plantações. A combinação entre menor uso de fertilizantes e condições climáticas desfavoráveis amplia o risco de perdas na próxima safra.
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Os especialistas destacam que os reflexos para o consumidor não devem ser imediatos. Caso a produção seja afetada, os impactos tendem a aparecer ao longo de 2027, quando a oferta de alimentos poderá ficar mais restrita e pressionar os preços no mercado interno.
Para um país que importa cerca de 85% dos fertilizantes utilizados na agricultura, a diversificação de fornecedores e o fortalecimento da produção nacional seguem entre os principais desafios para reduzir a vulnerabilidade do setor diante de crises internacionais.
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