Bioinsumos ajudam plantas a enfrentar seca e podem melhorar aproveitamento da água

Tecnologias biológicas ganham espaço no campo ao estimular raízes e aumentar a capacidade das culturas de enfrentar períodos de déficit hídrico e altas temperaturas
O avanço dos bioinsumos na agricultura está abrindo novas possibilidades para o produtor enfrentar um problema cada vez mais presente no campo: a irregularidade das chuvas. Biofertilizantes, biodefensivos e bioestimulantes podem contribuir para que as plantas aproveitem melhor a água disponível e apresentem maior resistência durante períodos de seca e altas temperaturas.
A estratégia ganha importância diante da ocorrência de veranicos durante o ciclo das culturas e das oscilações climáticas que podem comprometer o potencial produtivo das lavouras.
Os produtos biológicos não eliminam a necessidade de água e também não substituem, de forma automática, os defensivos convencionais. A proposta atualmente é utilizar diferentes tecnologias de maneira integrada, buscando aumentar a eficiência do sistema produtivo.
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Sistema radicular pode favorecer aproveitamento da água
Um dos principais efeitos associados ao uso de determinados bioinsumos está no desenvolvimento das raízes.
Plantas com sistemas radiculares mais desenvolvidos conseguem explorar uma área maior do solo em busca de água e nutrientes. Isso pode favorecer o aproveitamento dos recursos disponíveis principalmente em períodos de restrição hídrica moderada.
Pesquisa realizada em parceria com o Instituto Federal Goiano identificou, entre os benefícios avaliados com biodefensivos, redução do estresse hídrico e melhora na capacidade de absorção e aproveitamento da água pelas plantas.
O desenvolvimento das raízes também pode favorecer a absorção de nutrientes, ampliando a eficiência no aproveitamento dos recursos existentes no solo.
Microrganismos auxiliam resposta das plantas ao estresse
Parte das tecnologias biológicas utilizadas na agricultura trabalha com microrganismos benéficos.
Entre eles estão bactérias do gênero Bacillus, associadas à capacidade das plantas de enfrentar diferentes condições de estresse abiótico.
Fungos do gênero Trichoderma também são utilizados na agricultura e aparecem em estudos e aplicações relacionados à resposta das culturas diante do déficit hídrico.
A atuação dessas tecnologias ocorre principalmente sobre os processos fisiológicos da planta e a interação entre raízes, solo e microrganismos.
O objetivo é fazer com que a cultura esteja fisiologicamente mais preparada para atravessar momentos adversos sem comprometer tanto seu desenvolvimento.
Bioinsumos não significam abandono dos defensivos convencionais
Apesar do avanço das soluções biológicas, especialistas ressaltam que o cenário atual ainda é de manejo integrado.
Isso significa que os bioinsumos podem trabalhar em conjunto com defensivos e outras tecnologias utilizadas na lavoura.
A adoção depende da cultura, das condições da propriedade, do produto utilizado, do problema que precisa ser enfrentado e da recomendação técnica.
Portanto, não se trata simplesmente de substituir um produto químico por um biológico, mas de utilizar ferramentas complementares para aumentar a eficiência do sistema.
Produção também pode ter menor impacto ambiental
Outro aspecto relacionado aos bioinsumos está na pegada ambiental.
Dados apresentados no setor indicam que a fabricação de um quilo de defensivo químico pode resultar na emissão de aproximadamente 20 a 25 quilos de CO₂ equivalente, enquanto a produção de um quilo de bioinsumo pode representar entre 3 e 5 quilos de CO₂ equivalente.
Os números reforçam o potencial das tecnologias biológicas dentro de estratégias voltadas à redução do impacto ambiental da produção agrícola.
Tecnologia ganha importância diante da irregularidade das chuvas
Para regiões produtoras como Jataí e o Sudoeste Goiano, a discussão é especialmente relevante.
O desempenho de culturas como soja e milho depende diretamente da distribuição das chuvas ao longo do ciclo. Mesmo quando o volume acumulado é satisfatório, períodos de estiagem em momentos críticos podem afetar o desenvolvimento das plantas e reduzir a produtividade.
Com a aproximação da safra 2026/27, tecnologias capazes de melhorar o desenvolvimento radicular e aumentar a tolerância das plantas ao estresse hídrico ganham espaço no planejamento das lavouras.
Os bioinsumos não eliminam os riscos provocados pela seca, mas passam a integrar um conjunto de ferramentas utilizadas para construir sistemas produtivos mais eficientes e resilientes às variações climáticas.
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