Subsídio ao diesel coloca custo do agro no centro de novo pacote de combustíveis

Subsídio ao diesel coloca custo do agro no centro de novo pacote de combustíveis
Preço do diesel no agronegócio e custos da safra 2026/27

Governo autoriza nova subvenção de R$ 1 por litro para o diesel rodoviário; medida ocorre em meio à alta internacional do petróleo e interessa diretamente à logística e à produção no campo

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O diesel volta ao centro das atenções do agronegócio às vésperas do avanço da safra 2026/27. O governo federal anunciou um novo pacote para tentar conter os efeitos da alta internacional dos combustíveis, incluindo uma subvenção de R$ 1 por litro para o diesel rodoviário.

Para o produtor rural, o movimento é relevante porque o diesel está presente em praticamente todas as etapas da produção. É utilizado em tratores, colheitadeiras, pulverizadores e outras máquinas, além de ter peso importante no transporte de sementes, fertilizantes e defensivos e no escoamento da produção.

A nova subvenção será destinada a produtores e importadores de diesel e ainda será regulamentada pelo Ministério da Fazenda. O valor poderá ser revisto a cada 30 dias, de acordo com as condições do mercado.

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A estimativa do governo é de que somente essa nova medida tenha custo de aproximadamente R$ 5 bilhões em setembro, dependendo da adesão das empresas.

 Petróleo acima de US$ 100 aumenta pressão

O pacote foi anunciado em um momento de forte pressão sobre as cotações internacionais do petróleo em razão do conflito no Oriente Médio.

O barril do Brent, referência para o mercado internacional, encerrou a quarta-feira (9) cotado a US$ 101,21, com alta de 3,36%.

Esse movimento interessa diretamente ao campo brasileiro. Além da utilização do diesel dentro das propriedades, boa parte da produção agropecuária depende do transporte rodoviário para chegar a armazéns, indústrias, frigoríficos, terminais ferroviários e portos.

Em regiões produtoras como Jataí e o Sudoeste Goiano, a relação entre combustível e custo logístico ganha ainda mais importância diante da dimensão da produção de grãos e da necessidade de deslocamento de grandes volumes durante a safra.

Medidas para combustíveis chegam a R$ 7 bilhões por mês

O diesel é apenas uma parte do novo pacote. O governo também reduziu tributos federais incidentes sobre gasolina e etanol.

Na gasolina, a redução de PIS/Pasep e Cofins corresponde a R$ 0,63 por litro. Para o etanol hidratado, os tributos federais serão temporariamente zerados, representando redução de R$ 0,19 por litro.

Essas medidas entram em vigor nesta quinta-feira (10) e estão previstas até 9 de outubro.

Somadas, a desoneração da gasolina e do etanol representa impacto estimado de R$ 2 bilhões por mês. Com os aproximadamente R$ 5 bilhões previstos para a nova subvenção do diesel, o pacote chega a R$ 7 bilhões mensais.

Em setembro, entretanto, o impacto sobre as contas públicas será ainda maior porque uma subvenção anterior de R$ 1,12 por litro de diesel permanece em vigor até o dia 27.

Considerando a sobreposição das medidas, o governo estima impacto de R$ 12,5 bilhões somente em setembrow.

 Diesel segue como variável importante para a safra

Para o agronegócio, a discussão vai além do preço encontrado nas bombas. O comportamento do diesel influencia diretamente os custos operacionais e logísticos da cadeia.

Uma mudança no combustível pode chegar ao produtor por diferentes caminhos: no abastecimento das máquinas agrícolas, no transporte dos insumos até as propriedades e principalmente no frete necessário para retirar a produção do campo.

Isso torna o mercado internacional de petróleo uma variável que também precisa ser acompanhada pelo produtor durante o planejamento da safra.

O governo afirma que as medidas são temporárias e foram adotadas justamente para amortecer os efeitos da conjuntura internacional sobre o mercado brasileiro.

A nova subvenção de R$ 1 por litro poderá ser alterada, interrompida ou prorrogada após as revisões previstas a cada 30 dias.

Para o produtor, portanto, o pacote representa uma tentativa de reduzir a transmissão imediata da alta internacional do petróleo para o mercado doméstico, mas não elimina a necessidade de acompanhar o comportamento do diesel nos próximos meses, especialmente durante o avanço das operações da safra 2026/27.

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Isabelle Sousa de Assis

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