Coleira mede o metano de cada boi e pode mudar o manejo nas fazendas

Uma nova tecnologia está permitindo medir quanto metano cada bovino libera individualmente durante a rotina na fazenda. A solução utiliza uma espécie de coleira instalada na cabeça do animal e sensores posicionados próximos ao focinho.
O equipamento, chamado ZELP Sense, foi lançado comercialmente com a proposta de acompanhar as emissões sem precisar levar o bovino repetidamente a câmaras ou estações fixas de medição.
A novidade pode ajudar a transformar a forma como pesquisadores e produtores analisam as emissões da pecuária. Em vez de trabalhar apenas com uma média do rebanho, a tecnologia permite observar diferenças entre os animais.
Cada animal pode apresentar uma emissão diferente
A produção de metano faz parte do processo natural de digestão dos bovinos. Porém, a quantidade emitida não é necessariamente igual entre animais submetidos às mesmas condições.
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Alimentação, consumo, tamanho corporal, nível de produção e características individuais podem influenciar a quantidade de gás produzida.
Uma pesquisa publicada em 2026 no Journal of Dairy Science analisou 79.040 médias semanais de emissões de 9.923 vacas Holandesas, distribuídas em cinco rebanhos comerciais nos Estados Unidos.
O estudo encontrou média de 355,98 gramas de metano por animal por dia, mas os registros semanais variaram de 97,31 a 674,15 gramas. Os números são específicos daquela população estudada e não significam que todos os bovinos apresentem os mesmos níveis.
Como funciona a tecnologia
O ZELP Sense acompanha os gases liberados pelo animal por meio de sensores instalados próximos ao focinho.
A proposta é realizar o monitoramento enquanto o bovino mantém sua rotina normal, seja durante alimentação, pastejo ou descanso.
Esse tipo de acompanhamento pode gerar uma quantidade maior de informações sobre o comportamento individual dos animais e ajudar a identificar quais características estão relacionadas às maiores ou menores emissões.
A tecnologia também pode ser importante para pesquisas que buscam relacionar emissão de metano, eficiência alimentar e desempenho produtivo.
Pecuária busca medir emissões com mais precisão
O monitoramento individual não é a única estratégia utilizada para medir o metano produzido pelos bovinos.
A Embrapa, por exemplo, já desenvolveu metodologias para avaliar a emissão do gás e identificar animais mais eficientes na relação entre consumo de alimento, ganho de peso e emissão de metano. Uma dessas metodologias utiliza o gás traçador SF6 para estimar as emissões durante períodos de avaliação.
A diferença é que novas tecnologias vestíveis podem permitir um acompanhamento mais próximo da rotina dos animais, ampliando a quantidade de dados disponíveis.
Dados podem ajudar no melhoramento do rebanho
Uma das possibilidades é utilizar essas informações em programas de seleção genética.
Se determinados animais apresentarem melhor eficiência produtiva associada a menores emissões por unidade de alimento consumido ou de peso produzido, esses dados podem contribuir para decisões de melhoramento.
A Embrapa já destaca a importância de identificar animais mais eficientes como uma ferramenta para aumentar a sustentabilidade da pecuária brasileira.
Isso não significa simplesmente escolher os animais que emitem menos metano. A análise precisa considerar também produtividade, alimentação, ganho de peso e outras características importantes para a atividade.
Tecnologia ganha espaço no agronegócio
O avanço de sensores e equipamentos vestíveis mostra uma mudança na pecuária: cada vez mais decisões podem ser tomadas a partir de dados coletados diretamente dos animais.
Para o produtor, informações individuais podem ajudar a compreender melhor diferenças de desempenho dentro do próprio rebanho.
No Sudoeste Goiano, região com forte presença da pecuária e de outras atividades do agronegócio, tecnologias desse tipo acompanham uma tendência de modernização do campo, com maior uso de monitoramento, automação e análise de dados.
A medição individual do metano ainda representa uma ferramenta tecnológica em expansão. Mas a possibilidade de acompanhar as emissões de cada animal pode abrir novas oportunidades para pesquisas, manejo e estratégias voltadas à eficiência da produção.
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