Resíduo da laranja pode ganhar valor e virar matéria-prima

Resíduo da laranja pode ganhar valor e virar matéria-prima

O que sobra da produção industrial de suco de laranja pode deixar de ser apenas um resíduo e passar a representar uma nova oportunidade para a indústria. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) identificou compostos presentes nesses materiais que podem ter valor para diferentes aplicações.

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A pesquisa encontrou substâncias como hesperidina, D-limoneno, valenceno e carboidratos solúveis. Entre os resultados, os cientistas conseguiram recuperar hesperidina com alto grau de pureza, utilizando técnicas voltadas ao aproveitamento mais eficiente da biomassa cítrica.

A hesperidina é um flavonoide associado a propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. O estudo foi desenvolvido no Departamento de Química da UFSCar e publicado na revista científica Foods.

O que existe nos resíduos da laranja?

A fabricação de suco gera uma quantidade significativa de materiais que não fazem parte do produto final. Cascas, sementes, bagaço, óleos essenciais e águas residuais estão entre os principais subprodutos do processamento.

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Apesar de serem considerados resíduos, esses materiais ainda concentram diversas substâncias que podem ser recuperadas e utilizadas em outras cadeias produtivas.

Foi justamente esse potencial que levou os pesquisadores a buscar métodos para identificar e separar os compostos presentes na biomassa.

A proposta segue princípios da chamada química verde, que busca processos mais eficientes e com menor impacto ambiental.

Pesquisa combinou diferentes tecnologias

Para analisar a composição dos resíduos, os pesquisadores utilizaram técnicas como ressonância magnética nuclear e cromatografia.

A combinação permitiu identificar substâncias presentes nas diferentes etapas da cadeia de processamento da laranja e apontar quais frações apresentavam maior potencial de aproveitamento.

Outra técnica utilizada foi a extração assistida por micro-ondas. O procedimento ajudou a recuperar compostos bioativos a partir da biomassa residual e também permitiu acompanhar substâncias presentes no bagaço.

Um dos principais resultados foi a recuperação da hesperidina. As análises indicaram pureza de 87,66% por ressonância magnética nuclear e de 84,30% por cromatografia.

Além da hesperidina, foram identificados outros compostos, como alfa-pineno, sabineno, beta-mirceno e linalol, que possuem diferentes possibilidades de utilização industrial.

Até o resíduo líquido chamou atenção

A pesquisa também encontrou uma concentração elevada de D-limoneno na chamada “água amarela”, um resíduo líquido produzido na etapa final do processamento do suco.

Segundo os pesquisadores, a presença desse composto ajuda a explicar dificuldades encontradas na fermentação desse material, etapa relacionada ao tratamento da biomassa antes do descarte adequado.

A identificação do limoneno pode ajudar a compreender melhor o comportamento desse resíduo e buscar alternativas para seu aproveitamento ou tratamento.

Economia circular ganha espaço no agro

O estudo reforça uma tendência de transformação de resíduos em novas matérias-primas.

Em vez de representar somente um custo de descarte ou tratamento, parte dos materiais gerados pela indústria pode ser aproveitada para recuperar moléculas de interesse e produzir outros insumos.

Esse modelo está relacionado ao conceito de economia circular, que busca manter materiais e recursos em uso pelo maior tempo possível, reduzindo desperdícios e impactos ambientais.

No caso da citricultura, a possibilidade de recuperar compostos de maior valor pode abrir espaço para novas fontes de receita e estimular investimentos em tecnologias de processamento.

Potencial para a cadeia do agronegócio

A descoberta também chama atenção pela possibilidade de agregar valor a uma etapa que tradicionalmente está associada ao descarte.

Para uma cadeia produtiva de grande escala, pequenas oportunidades de aproveitamento podem representar ganhos relevantes quando aplicadas a grandes volumes de matéria-prima.

No Sudoeste Goiano, onde o agronegócio tem papel importante na economia regional, o avanço de tecnologias voltadas ao reaproveitamento de resíduos acompanha um movimento maior de busca por eficiência e sustentabilidade dentro das cadeias produtivas.

O estudo da UFSCar ainda está no campo da pesquisa científica e não significa que esses compostos já estejam sendo comercializados a partir dos resíduos da indústria. No entanto, os resultados indicam um caminho para que materiais antes vistos como descarte possam, no futuro, ser aproveitados como fonte de produtos de maior valor agregado.

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Gessica Vieira

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