Brasil vê difícil reverter bloqueio da União Europeia

O governo brasileiro avalia que diminuiu o espaço para reverter, por meio de negociações diplomáticas, o bloqueio imposto pela União Europeia às exportações de proteínas animais e derivados do Brasil.
A medida está prevista para entrar em vigor na próxima quinta-feira, 3 de setembro, e pode afetar embarques de carne bovina, aves, ovos, mel e pescados destinados ao mercado europeu. O impacto potencial é estimado em quase US$ 2 bilhões por ano.
A restrição está relacionada às exigências europeias para comprovação de que os produtos exportados não são provenientes de animais submetidos a determinados antimicrobianos proibidos pelo bloco.
Negociações ainda continuam
Apesar da avaliação de que uma reversão imediata ficou mais difícil, o governo brasileiro pretende manter os canais de diálogo com as autoridades europeias.
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Em julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, solicitando o retorno do Brasil à lista de países autorizados a exportar. Até o momento, não houve resposta, segundo informações divulgadas sobre as tratativas.
A questão também vem sendo discutida entre governo e representantes do setor produtivo. A estratégia envolve apresentar informações sobre os mecanismos de controle adotados no Brasil e buscar alternativas para atender às exigências europeias.
Exigência envolve controle da cadeia produtiva
A União Europeia exige que o Brasil consiga comprovar a segregação dos animais e produtos destinados ao mercado europeu.
Na prática, isso significa identificar e acompanhar a produção desde a origem até o produto final, garantindo que os animais destinados ao bloco não tenham recebido os antimicrobianos que são proibidos pelas regras europeias.
O Ministério da Agricultura já havia informado que entidades do setor privado precisariam desenvolver protocolos específicos de produção segregada, enquanto o poder público ficaria responsável pela fiscalização e certificação dos sistemas.
A exigência aumenta a importância da rastreabilidade e do controle documental dentro das propriedades e das agroindústrias.
Possível resposta brasileira entra no radar
Diante da dificuldade de reverter a decisão apenas por meio do diálogo, medidas de reciprocidade passaram a ser discutidas em Brasília.
Entre as possibilidades mencionadas estão eventuais barreiras sanitárias para produtos europeus, como lácteos e azeites. O governo, no entanto, não confirmou oficialmente a adoção dessas medidas.
Por isso, qualquer reação brasileira ainda depende da evolução das negociações e das decisões oficiais.
Impacto para o agronegócio
A União Europeia é um mercado relevante para diferentes cadeias da produção brasileira. Uma suspensão das exportações pode obrigar empresas a redirecionarem parte dos produtos para outros destinos.
A mudança também pode aumentar a concorrência no mercado interno caso volumes que seriam destinados à Europa precisem ser comercializados no Brasil.
Para a pecuária e demais segmentos de proteína animal, o cenário reforça a necessidade de investimentos em rastreabilidade, controle sanitário e adequação às exigências dos mercados internacionais.
No Sudoeste Goiano, onde a pecuária e o agronegócio têm forte participação na economia regional, mudanças no comércio exterior podem repercutir sobre frigoríficos, produtores, transportadores e fornecedores de insumos.
Mercado internacional exige adaptação
O episódio também mostra que o acesso aos grandes mercados depende cada vez mais da capacidade de comprovar a origem e as condições de produção.
O Brasil já exporta produtos agropecuários para dezenas de países, mas as exigências sanitárias e ambientais tendem a ganhar peso nas negociações internacionais.
Com a aproximação do prazo estabelecido pela União Europeia, o desafio brasileiro é apresentar garantias técnicas suficientes para tentar preservar o acesso ao bloco.
Enquanto isso, empresas e produtores precisam acompanhar as decisões que serão tomadas nos próximos dias, especialmente diante da possibilidade de redirecionamento de parte das exportações para outros mercados.
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