Brasil prepara reação internacional após veto europeu à carne e avalia recorrer à OMC

O governo brasileiro estuda recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a decisão da União Europeia que suspende a autorização para a importação de carne e outros produtos de origem animal do Brasil. A medida, que entra em vigor em setembro, é considerada pelo Itamaraty um possível obstáculo comercial com impactos significativos para o agronegócio nacional.
Segundo informações encaminhadas pelo Ministério das Relações Exteriores ao Congresso Nacional, a prioridade, neste momento, continua sendo a negociação diplomática com as autoridades europeias. No entanto, caso não haja avanço nas tratativas, o Brasil poderá utilizar os mecanismos de solução de controvérsias previstos pela OMC e também pelo acordo entre Mercosul e União Europeia.
De acordo com o governo, a restrição pode provocar perdas anuais de até US$ 2,4 bilhões para a cadeia brasileira de produtos de origem animal, afetando exportadores, frigoríficos e produtores rurais.
Governo vê componente político na decisão
Além das justificativas sanitárias apresentadas pela União Europeia, o Itamaraty afirma identificar uma possível motivação política por trás da medida. Na avaliação do governo brasileiro, setores europeus que historicamente demonstravam resistência ao acordo comercial entre Mercosul e União Europeia passaram a apoiar a restrição às exportações brasileiras, levantando dúvidas sobre os reais motivos da decisão.
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Apesar desse entendimento, o governo reforça que continuará buscando uma solução por meio do diálogo técnico e diplomático antes de formalizar qualquer contestação internacional.
Agronegócio acompanha negociações
A decisão preocupa representantes do agronegócio, especialmente porque a União Europeia figura entre os mercados mais importantes para produtos brasileiros de origem animal. O setor avalia que uma interrupção prolongada das exportações poderá gerar impactos econômicos, exigir a abertura de novos mercados e aumentar os desafios para manter a competitividade internacional.
Especialistas destacam que o sistema brasileiro de inspeção sanitária é reconhecido internacionalmente, mas ressaltam que negociações comerciais envolvendo produtos agropecuários costumam reunir aspectos técnicos, econômicos e políticos.
Reflexos para Goiás
Em Goiás, um dos principais estados produtores de carne bovina, carne de frango e suína do país, o tema é acompanhado com atenção. O estado possui forte participação nas exportações do agronegócio e uma eventual manutenção das restrições pode afetar empresas frigoríficas, produtores integrados e toda a cadeia de fornecimento.
Enquanto busca uma solução diplomática, o governo brasileiro mantém o diálogo com autoridades europeias na tentativa de evitar que a disputa comercial avance para instâncias internacionais.
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