Boi gordo recua para R$ 370/@ após forte alta e mercado testa novo ajuste
Após semanas de valorização, o mercado do boi gordo voltou a registrar pressão negativa em importantes praças pecuárias brasileiras. O recuo ocorre em um momento de maior cautela dos frigoríficos, escalas de abate um pouco mais confortáveis e aproximação do fim de mês, período em que o consumo interno costuma perder força. Em São Paulo, fontes do setor informaram vendas a R$ 370/@ no preço à vista em Bofete.
Segundo levantamento da Scot Consultoria, a arroba do boi paulista recuou R$ 2/@ na quinta-feira, tanto para o animal comum quanto para o chamado boi-China. Com isso, as referências passaram para R$ 363/@ no boi comum e R$ 368/@ no padrão exportação, em valores brutos e a prazo.
Oferta maior abre espaço para pressão da indústria
A pressão de baixa ganhou força porque parte dos pecuaristas passou a ofertar mais boiadas, aproveitando os bons preços observados nas últimas semanas. Do lado comprador, frigoríficos que estavam mais afastados das compras voltaram ao mercado tentando negociar abaixo das referências, apoiados por escalas menos apertadas.
Ainda assim, o cenário não é de abundância. A oferta de animais terminados segue limitada, já que muitos produtores continuam segurando lotes no pasto, favorecidos pelas condições ainda razoáveis das pastagens em algumas regiões. Esse fator impede, por enquanto, quedas mais fortes na arroba.
O indicador da Datagro também apontou queda na maior parte das praças. Entre as referências médias, São Paulo ficou em R$ 362,12/@, Mato Grosso em R$ 358,46/@, Mato Grosso do Sul em R$ 350,52/@, Goiás em R$ 344,29/@ e Minas Gerais em R$ 341,02/@.
Carne bovina no atacado segue em movimento oposto
Apesar do recuo no boi gordo, a carne bovina segue em movimento contrário. Dados do Cepea mostram que a carcaça casada bovina atingiu recorde histórico em termos reais na parcial de abril. Até o dia 20, o produto acumulava alta de 4%, sendo negociado a R$ 25,41 por quilo no atacado da Grande São Paulo.
Na média parcial do mês, o preço ficou em R$ 25,05 por quilo, o maior valor real da série histórica do Cepea, iniciada em 2001. O patamar é 11% superior ao de abril de 2025 e 44,8% acima do registrado em abril de 2024, considerando a inflação pelo IGP-DI.
Esse comportamento mostra que, embora a indústria tente pressionar a arroba no curto prazo, os fundamentos continuam dando suporte ao mercado pecuário. A combinação entre oferta restrita de animais prontos para abate e exportações aquecidas limita a disponibilidade de carne no mercado interno e ajuda a manter os preços firmes no atacado.
Mercado entra em fase de disputa entre pecuaristas e frigoríficos
A Agrifatto avalia que as exportações brasileiras de carne bovina in natura continuam sendo um dos principais pilares de sustentação da arroba. Ao mesmo tempo, há cautela entre os frigoríficos diante da possibilidade de esgotamento da cota chinesa de importação de 1,1 milhão de toneladas a partir da virada do semestre.
Na prática, o mercado entra em uma fase de disputa mais intensa entre pecuaristas e frigoríficos. De um lado, compradores tentam alongar escalas e testar preços menores. Do outro, vendedores ainda encontram suporte em um cenário de carne valorizada, exportações fortes e baixa disponibilidade de boi terminado.
Por isso, o recuo desta semana é tratado com cautela pelo setor. A arroba perdeu força no curtíssimo prazo, mas o mercado ainda não apresenta fundamentos suficientes para uma queda mais consistente. O comportamento das escalas, o ritmo das exportações e a aceitação dos pecuaristas às ofertas menores devem definir os próximos movimentos do boi gordo.
Foto: Reprodução
Jornalismo Portal Pn7
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