Corte no seguro rural amplia riscos no campo e preocupa produtores em Goiás e no Brasil

O bloqueio de R$ 461,7 milhões no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), confirmado pelo governo federal, amplia a insegurança no campo e acende um alerta para produtores do sudoeste goiano e de todo o país.
A medida, oficializada por meio do Painel do Orçamento Federal, representa cerca de 45,7% da contenção de despesas aplicada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Com isso, dos R$ 1,01 bilhão inicialmente previstos para 2026, restam aproximadamente R$ 548 milhões disponíveis para subsidiar o seguro agrícola.
O corte ocorre em um momento considerado delicado para o agronegócio. Nos últimos anos, eventos climáticos extremos, como estiagens prolongadas, geadas e chuvas intensas, têm provocado prejuízos significativos, inclusive em regiões produtoras de Goiás, aumentando o risco financeiro e o endividamento de produtores.
Segundo representantes do setor, os recursos atuais estão muito abaixo da necessidade. A estimativa é de que seriam necessários cerca de R$ 4 bilhões por ano para garantir uma cobertura mínima diante da dimensão da agropecuária brasileira.
Os dados mostram uma redução progressiva do programa. O orçamento executado do PSR caiu de R$ 1,15 bilhão em 2021 para R$ 565,3 milhões em 2025. No mesmo período, a área agrícola protegida recuou de 13,7 milhões de hectares para cerca de 3,2 milhões, o equivalente a pouco mais de 3% da área cultivada no país.
Em estados com forte tradição agrícola, como o Paraná, o impacto também é expressivo. O número de apólices subvencionadas caiu de aproximadamente 82 mil para 26 mil.
Para especialistas, a redução dos recursos, somada ao aumento dos riscos climáticos, amplia a vulnerabilidade financeira dos produtores. Sem o seguro, perdas de safra podem comprometer toda a cadeia produtiva, afetando cooperativas, fornecedores, crédito rural e até a economia local.
No sudoeste goiano, onde a produção de grãos é um dos pilares da economia, o cenário gera preocupação. A falta de cobertura adequada pode impactar diretamente o planejamento das safras e a capacidade de investimento dos produtores.
O corte também ocorre enquanto o Congresso Nacional discute alternativas para fortalecer o sistema de seguro rural. Entre elas, o Projeto de Lei nº 2.951/2024, que propõe maior estabilidade nos recursos e a criação de um fundo para catástrofes climáticas.
A proposta busca reduzir a dependência de medidas emergenciais após perdas, oferecendo mais previsibilidade ao setor. Especialistas em gestão de risco defendem que o seguro rural é uma ferramenta essencial para evitar crises financeiras no campo.
Quando há cobertura, parte dos prejuízos é absorvida pelo sistema, preservando a capacidade de pagamento dos produtores. Sem essa proteção, os impactos tendem a se espalhar, afetando produção, crédito e até os preços dos alimentos.
Embora o ajuste fiscal seja um desafio real, o corte significativo no seguro rural reacende o debate sobre prioridades na política agrícola. Em um cenário de mudanças climáticas cada vez mais intensas, a decisão levanta um questionamento central: investir na prevenção ou agir apenas depois que os prejuízos já estão consolidados.
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