UE proíbe carne brasileira e reacende debate sobre uso de antibióticos na pecuária

UE proíbe carne brasileira e reacende debate sobre uso de antibióticos na pecuária

A decisão da União Europeia (UE) de retirar o Brasil da lista de países que atendem às normas do bloco sobre o uso de antimicrobianos na pecuária trouxe novos impactos ao agronegócio brasileiro. Com a medida, o país ficará impedido de exportar carne para o mercado europeu a partir do dia 3 de setembro deste ano.

O ponto central da restrição envolve o uso de antimicrobianos na produção animal. Essas substâncias são utilizadas para controlar microrganismos como bactérias, fungos, vírus e parasitas e fazem parte da rotina sanitária em diversas cadeias produtivas.

Na prática, segundo especialistas, os antimicrobianos possuem quatro aplicações principais na pecuária: uso terapêutico, quando o animal já apresenta sintomas; preventivo, para evitar doenças; metafilático, adotado em casos de surtos dentro do rebanho; e como promotores de crescimento, quando são incluídos na ração para melhorar o desempenho produtivo.

É justamente o uso como promotor de crescimento que está no centro da polêmica. A União Europeia adota uma política de tolerância zero para esse tipo de aplicação, o que inclui substâncias como a monensina, frequentemente utilizada em sistemas de confinamento bovino.

De acordo com a veterinária Silvana Gorniak, da Universidade de São Paulo (USP), o uso contínuo de baixas doses desses compostos pode contribuir para o desenvolvimento de resistência bacteriana. Isso ocorre porque parte das bactérias pode sobreviver ao tratamento, carregando genes que dificultam o combate futuro com antimicrobianos.

A discussão ganha relevância global por envolver riscos à saúde pública. A resistência antimicrobiana é considerada um dos principais desafios sanitários atuais, podendo comprometer a eficácia de tratamentos tanto em animais quanto em humanos.

Apesar das restrições europeias, representantes do setor produtivo brasileiro afirmam que práticas vêm sendo atualizadas. Em entrevista ao programa Globo Rural, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, declarou que exportadores de carne de aves no Brasil já não utilizam antibióticos como promotores de crescimento em nenhuma fase da produção.

Mesmo assim, a decisão da União Europeia evidencia a necessidade de adequação às exigências internacionais, especialmente em relação à rastreabilidade e comprovação das práticas adotadas no campo.

No sudoeste goiano, região com forte presença da pecuária, o tema acende alerta entre produtores e exportadores, que acompanham os desdobramentos da medida e possíveis impactos econômicos no setor.

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Gessica Vieira

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