No PN7 em Pauta, cardiologista Juliano Rocha explica por que o frio aumenta o risco de infarto

Com a chegada do inverno e a queda das temperaturas, aumentam também os riscos de complicações cardiovasculares. O assunto foi tema da entrevista desta quinta-feira (2) no PN7 em Pauta, programa jornalístico do Portal Panorama, que recebeu o médico cardiologista Dr. Juliano Rocha para esclarecer dúvidas sobre infarto, AVC, fatores de risco, prevenção e primeiros socorros em situações de emergência.
Durante a entrevista, o especialista explicou que o frio provoca uma contração natural dos vasos sanguíneos como mecanismo de proteção do organismo para preservar o calor corporal. Essa reação aumenta a pressão arterial e pode favorecer o desencadeamento de infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs), principalmente em pessoas que já apresentam fatores de risco, como hipertensão, colesterol elevado, diabetes ou doenças cardiovasculares.
Segundo o cardiologista, o período da manhã, especialmente entre 7h e 9h, concentra um número maior desses eventos. Além das temperaturas mais baixas, o aumento natural da adrenalina ao despertar também contribui para elevar a pressão arterial e a frequência cardíaca, tornando esse horário mais propício para complicações cardiovasculares.
Casos entre jovens acendem alerta
Outro ponto destacado durante a entrevista foi o crescimento dos casos de infarto entre pessoas mais jovens.
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De acordo com o médico, embora a predisposição genética tenha influência importante, mudanças no estilo de vida vêm antecipando o aparecimento das doenças cardiovasculares. Sedentarismo, alimentação inadequada, obesidade, noites mal dormidas, estresse constante e a redução da prática de atividades físicas fazem com que adultos cada vez mais jovens apresentem problemas que antes eram mais frequentes apenas em idosos.
O especialista ressaltou que já existem registros de pacientes com pouco mais de 20 anos sofrendo infarto e reforçou que a adoção de hábitos saudáveis continua sendo a principal estratégia para reduzir esse risco ao longo da vida.
Quais sintomas exigem atenção imediata?
Durante a conversa no PN7 em Pauta, Juliano Rocha explicou que nem sempre um infarto acontece de forma repentina e sem sinais.
Entre os principais sintomas que merecem atenção estão:
- dor ou pressão no peito;
- falta de ar;
- cansaço excessivo durante esforços simples;
- palpitações;
- episódios de desmaio;
- escurecimento da visão;
- inchaço nas pernas.
Segundo ele, quando esses sintomas aparecem de forma súbita ou apresentam piora rápida, a recomendação é procurar imediatamente um serviço de urgência. Já sintomas antigos e estáveis podem ser inicialmente avaliados em consulta médica.
Infarto e AVC não são a mesma doença
Um dos esclarecimentos feitos pelo cardiologista foi a diferença entre infarto e AVC.
Embora ambos tenham origem semelhante — geralmente relacionada ao acúmulo de placas de gordura nas artérias —, cada doença atinge um órgão diferente.
Quando ocorre a obstrução das artérias do coração, caracteriza-se o infarto agudo do miocárdio. Já quando a interrupção do fluxo sanguíneo acontece no cérebro, ocorre o acidente vascular cerebral (AVC).
Segundo o médico, justamente por compartilharem fatores de risco semelhantes, as medidas de prevenção também são praticamente as mesmas para ambas as doenças.
Mulheres, idosos e diabéticos podem apresentar sintomas diferentes
O especialista também chamou atenção para um grupo de pacientes que frequentemente apresenta sinais menos evidentes de infarto.
Mulheres, idosos, pessoas com diabetes e pacientes com doença renal crônica podem desenvolver o chamado infarto silencioso, manifestando apenas sintomas como falta de ar, suor frio, náuseas, mal-estar, queda de pressão e cansaço intenso.
Por isso, qualquer alteração importante no estado de saúde desses pacientes deve ser avaliada rapidamente por uma equipe médica.
Primeiros socorros podem fazer a diferença
A entrevista também abordou a importância da reanimação cardiopulmonar (RCP) em casos de parada cardiorrespiratória.
Segundo Juliano Rocha, ao identificar uma pessoa inconsciente e sem respiração normal, o ideal é acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo telefone 192, e iniciar as compressões torácicas enquanto o socorro está a caminho.
O médico explicou que cada minuto sem atendimento reduz significativamente as chances de sobrevivência, tornando o início rápido das compressões um fator decisivo para manter a circulação de sangue até a chegada da equipe especializada.
Canetas para emagrecimento ajudam, mas exigem acompanhamento
Outro tema discutido foi o uso das chamadas canetas para emagrecimento.
Segundo o cardiologista, a redução da obesidade representa um importante benefício para a saúde cardiovascular, mas o tratamento deve sempre ocorrer com acompanhamento médico.
Ele alertou que o uso inadequado desses medicamentos pode provocar perda excessiva de massa muscular, aumentando a fragilidade física e comprometendo a saúde do paciente. A recomendação é associar o tratamento à alimentação equilibrada e à prática regular de exercícios físicos.
Especialista defende serviço de hemodinâmica em Jataí
Na parte final da entrevista, Juliano Rocha destacou um desafio enfrentado pelos pacientes da região: a ausência de um serviço de hemodinâmica em Jataí.
Segundo o médico, pacientes que necessitam de cateterismo e angioplastia frequentemente precisam ser transferidos para municípios como Goiânia, Catalão ou Rio Verde, dependendo da forma de atendimento, o que aumenta o tempo até o tratamento considerado ideal para casos de infarto.
Na avaliação do cardiologista, a implantação desse serviço na cidade representaria um avanço importante para reduzir mortes e ampliar a assistência aos pacientes com doenças cardiovasculares na região.
Prevenção continua sendo o melhor tratamento
Ao encerrar a entrevista, Juliano Rocha reforçou que a prevenção permanece sendo a principal ferramenta para reduzir a incidência de infartos e AVCs.
Controlar a pressão arterial, manter alimentação saudável, praticar atividades físicas regularmente, evitar o cigarro, controlar diabetes e colesterol, dormir bem e realizar consultas médicas periódicas são medidas capazes de reduzir significativamente o risco de doenças cardiovasculares.
A entrevista completa com o cardiologista Dr. Juliano Rocha está disponível nas plataformas do Portal Panorama, dentro do programa PN7 em Pauta.
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