Bem-estar animal ganha espaço estratégico na avicultura brasileira e influencia mercado

O bem-estar animal passou a ocupar posição estratégica na avicultura brasileira diante das novas exigências do mercado internacional. De acordo com o Relatório Observatório do Frango, elaborado pela Alianima, compradores, investidores e consumidores passaram a exigir mais transparência sobre as condições de criação das aves, tornando o tema um diferencial competitivo para empresas exportadoras.
O relatório destaca que o Brasil produziu mais de 15 milhões de toneladas de carne de frango em 2025, mantendo a liderança mundial nas exportações e a terceira posição entre os maiores produtores. Os dados, reunidos pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), também indicam que acordos comerciais, exigências ambientais e critérios de governança ampliam a pressão por sistemas produtivos capazes de demonstrar evolução no bem-estar das aves.
Transparência é apontada como fator estratégico
Segundo o estudo, além das práticas adotadas nas granjas, o setor precisa transformar iniciativas isoladas em compromissos públicos, com metas, cronogramas e prestação de contas. A publicação afirma que essa mudança pode reduzir riscos regulatórios, fortalecer a reputação da cadeia produtiva e ampliar a previsibilidade diante das novas exigências do comércio internacional.
O relatório também observa que a avicultura brasileira consolidou uma das cadeias produtivas mais eficientes do mundo por meio de investimentos em genética, biosseguridade, automação e manejo. Ao mesmo tempo, destaca que essa evolução ocorreu paralelamente à redução de características tradicionalmente associadas ao bem-estar das aves, como menor densidade de alojamento, acesso à iluminação natural e ambientes que favorecem comportamentos naturais.
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Competitividade vai além da eficiência
A publicação ressalta que pesquisas internacionais passaram a considerar esses fatores importantes para melhorar a qualidade de vida dos animais. Para a Alianima, essa mudança exige uma nova etapa de desenvolvimento da avicultura, equilibrando desempenho produtivo, sustentabilidade e responsabilidade corporativa.
O documento afirma ainda que o fortalecimento de critérios ligados ao ESG e o avanço de políticas de bem-estar animal em diferentes países indicam que a competitividade dependerá não apenas de custo e escala, mas também da capacidade das empresas de demonstrar evolução contínua em suas práticas.
Levantamento identifica desafios
Para avaliar como a indústria brasileira comunica essa agenda, o Observatório do Frango analisou informações públicas das principais empresas produtoras do país, utilizando como referência o ranking da WATT Poultry. O levantamento identificou iniciativas relacionadas à biosseguridade, capacitação, manejo e certificações, mas verificou que a maior parte das organizações ainda não apresenta compromissos estruturados com metas verificáveis e cronogramas de implementação.
Como alternativa, o estudo propõe uma implementação gradual das mudanças, priorizando melhorias em manejo, ambiência, qualidade da cama, iluminação, enriquecimento ambiental e monitoramento das condições dos aviários. Em etapas posteriores, recomenda ampliar pesquisas sobre genética e sistemas de insensibilização no abate, respeitando as condições técnicas da produção nacional.
O relatório conclui que a avicultura brasileira reúne capacidade técnica, escala produtiva e experiência em gestão para liderar esse processo. Segundo a publicação, transformar boas práticas em compromissos públicos consistentes pode fortalecer a liderança brasileira na produção e exportação de carne de frango em um mercado cada vez mais atento à origem dos alimentos.
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