Embrapa desenvolve “impressão digital” para identificar carne bovina

A identificação da origem e das características da carne bovina pode ganhar uma nova ferramenta tecnológica. Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveram uma metodologia capaz de diferenciar carnes de animais de diferentes raças a partir de sua composição química.
A tecnologia funciona como uma espécie de “impressão digital” da carne. Por meio de análises laboratoriais e técnicas de inteligência artificial, os pesquisadores conseguem encontrar padrões químicos que ajudam a distinguir os produtos.
A proposta pode contribuir para aumentar a segurança das informações oferecidas ao mercado e melhorar a capacidade de rastrear e caracterizar a carne bovina.
Tecnologia diferencia Nelore e Angus
Uma das aplicações avaliadas pela pesquisa envolve carnes de animais Nelore e Angus, duas raças importantes para a pecuária brasileira.
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Os pesquisadores analisaram amostras e identificaram diferenças na composição química relacionadas aos animais. Essas informações foram processadas por modelos estatísticos e ferramentas de inteligência artificial.
O resultado é um perfil químico específico para cada grupo analisado. Esse conjunto de características funciona de maneira semelhante a uma impressão digital, permitindo identificar padrões que não são facilmente percebidos apenas pela aparência da carne.
A metodologia não depende somente da observação visual do produto. O objetivo é utilizar informações químicas para obter uma identificação mais precisa.
Inteligência artificial entra na análise
O desenvolvimento combina técnicas de química analítica, estatística e inteligência artificial.
Os equipamentos utilizados conseguem detectar diferentes moléculas presentes na carne. A partir dessas informações, algoritmos procuram padrões e relações entre as amostras.
Com o processamento dos dados, é possível criar modelos capazes de classificar as carnes de acordo com características previamente estabelecidas.
A tecnologia ainda está inserida no campo da pesquisa, mas abre possibilidades para aplicações futuras na indústria e na cadeia produtiva da carne bovina.
Ferramenta pode reforçar rastreabilidade
A rastreabilidade é um dos principais desafios da pecuária moderna. O mercado consumidor e os compradores internacionais estão cada vez mais interessados em informações sobre origem, produção e características dos alimentos.
Nesse cenário, ferramentas capazes de identificar padrões diretamente no produto podem complementar os sistemas tradicionais de controle.
A tecnologia desenvolvida pela Embrapa também pode ajudar em situações nas quais seja necessário verificar se determinada carne corresponde às características declaradas pelo fornecedor.
Isso pode ser relevante para programas de certificação, controle de qualidade e valorização de produtos associados a determinadas raças ou sistemas de produção.
Nelore e Angus têm características diferentes
A comparação entre Nelore e Angus é relevante porque as raças apresentam diferenças genéticas e produtivas que podem influenciar características da carne.
O Nelore possui forte presença na pecuária brasileira e está adaptado às condições tropicais. Já o Angus é conhecido pela qualidade da carne e pelo potencial de produção de animais com maior grau de marmoreio, característica relacionada à presença de gordura entremeada no músculo.
No entanto, a qualidade final da carne não depende exclusivamente da raça. Alimentação, manejo, idade, genética, ambiente e processamento também podem interferir nas características do produto.
Por isso, a proposta da pesquisa é identificar padrões químicos que possam contribuir para uma avaliação mais objetiva.
Avanço pode interessar ao mercado
Uma ferramenta capaz de identificar características da carne a partir de sua composição pode ter aplicações em diferentes etapas da cadeia produtiva.
Frigoríficos, laboratórios, certificadoras e outros segmentos poderão, futuramente, utilizar métodos desse tipo para ampliar o controle sobre produtos comercializados.
Para o produtor, tecnologias de identificação também podem contribuir para agregar valor a carnes que atendam a determinados padrões de qualidade ou origem.
No Sudoeste Goiano, onde a pecuária de corte possui grande importância econômica, avanços relacionados à rastreabilidade e à qualidade da carne podem ganhar relevância para produtores, frigoríficos e empresas ligadas ao agronegócio.
Tecnologia ainda precisa avançar
Apesar do potencial, a metodologia ainda precisa passar por novas avaliações antes de ser considerada uma ferramenta de uso amplo no mercado.
É necessário ampliar os bancos de dados, testar diferentes condições de produção e verificar o desempenho dos modelos em um número maior de amostras.
A expectativa é que o avanço das análises químicas e da inteligência artificial permita criar ferramentas cada vez mais precisas para identificar e caracterizar alimentos.
Na pecuária, essa evolução pode ajudar a transformar informações que antes dependiam de registros e declarações em dados que também podem ser verificados diretamente no produto.
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