Oferta maior de carne suína pressiona preços e margens, levando a suinocultura a prejuízo de cerca de R$ 180 por animal em agosto.

Oferta cresce e leva suinocultura a prejuízo de R$ 180 por animal
A expansão da oferta de carne suína no mercado brasileiro aumentou a pressão sobre os preços e as margens dos produtores em agosto. Segundo análise do Itaú BBA, o prejuízo da atividade chegou a aproximadamente R$ 180 por animal no mês.
O cenário é resultado principalmente do crescimento da produção e da maior disponibilidade de carne no mercado interno. As exportações continuaram avançando, mas não em ritmo suficiente para absorver todo o volume adicional produzido.
Preço do suíno fica abaixo do custo
No mercado do suíno vivo, o preço médio recebido pelo produtor caiu para R$ 4,78 por quilo em agosto, considerando a média ponderada entre a Região Sul e Minas Gerais.
Já o custo estimado de terminação ficou próximo de R$ 6,30 por quilo.
A diferença entre o preço recebido e o custo de produção levou o spread da atividade para -32%. Em julho, o indicador estava em -19%. No mesmo período de 2025, o resultado era positivo em 27%.
## Carne suína também perde valor no atacado
A pressão sobre os preços também apareceu no mercado atacadista.
Em São Paulo, a meia carcaça suína registrou preço médio de R$ 7,27 por quilo em agosto, queda de 10,6% em relação a julho e valor 43% inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado.
Segundo o Itaú BBA, o aumento da oferta doméstica ajuda a explicar a deterioração das margens.
Produção cresce mais que os abates
Dados consolidados do segundo trimestre mostram que os abates de suínos aumentaram 3,2% na comparação com o mesmo período de 2025.
A produção de carne, porém, avançou mais: 4,8%.
Um dos fatores relacionados a essa diferença foi o aumento do peso médio das carcaças. Com mais carne produzida por animal abatido, a oferta cresceu em ritmo superior ao número de abates.
No período, a disponibilidade interna de carne suína aumentou 5,4% em relação ao segundo trimestre do ano anterior.
Exportações avançam, mas não absorvem o excedente
As exportações brasileiras de carne suína continuaram positivas, mas o crescimento não foi suficiente para equilibrar o aumento da produção.
Em agosto, os embarques de carne suína in natura somaram 115 mil toneladas, alta de 6,9% em relação ao mesmo mês de 2025.
No acumulado do ano até agosto, as exportações cresceram 7,5%.
Apesar desse desempenho, o Itaú BBA avalia que o mercado externo ainda não conseguiu retirar todo o excedente adicional do mercado brasileiro.
Demanda pode melhorar no fim do ano
Para os próximos meses, a demanda doméstica pode ganhar algum suporte com a aproximação do período de maior consumo no final do ano.
Outro fator apontado é a diferença de preços entre as carnes. Com a carne bovina e a de frango em patamares elevados em relação à carne suína, o produto pode ganhar competitividade junto ao consumidor.
Mesmo assim, a expectativa é de uma recuperação gradual das cotações, sem uma reversão rápida do atual desequilíbrio entre oferta e demanda.
Produção ainda deve crescer
O Itaú BBA também destaca que, até o momento, não há sinais claros de redução da produção.
Para os próximos anos, os investimentos previstos para ampliar a capacidade produtiva aumentam a necessidade de crescimento sustentado da demanda, especialmente no mercado externo.
O escritório do USDA no Brasil projeta crescimento de 8,4% na produção brasileira de carne suína em 2026 e de mais 1,9% em 2027, quando o volume poderia chegar a 5,25 milhões de toneladas.
Para as exportações, a estimativa é de 1,8 milhão de toneladas em 2026, alta de 5% sobre 2025, seguida por crescimento de 2,8% em 2027.
O cenário coloca a suinocultura diante de um desafio: aumentar a demanda para acompanhar uma oferta que continua crescendo e recuperar as margens dos produtores.
Share this content:







