Açúcar ganha força com oferta mais apertada no Brasil e riscos na Índia, aponta Itaú BBA

Açúcar ganha força com oferta mais apertada no Brasil e riscos na Índia, aponta Itaú BBA
O mercado de açúcar ganhou força nas últimas semanas diante de uma combinação de fatores que aumentou a preocupação com a oferta global. A produção menor no Centro-Sul do Brasil, os riscos relacionados ao abastecimento na Índia, o petróleo acima de US$ 100 por barril e as tensões geopolíticas ajudaram a sustentar a valorização dos contratos futuros.
Segundo análise do Itaú BBA, o contrato de açúcar em Nova York com vencimento em outubro registrou média de 17,7 centavos de dólar por libra-peso nos 30 dias encerrados em 11 de setembro, mantendo o movimento de alta iniciado em agosto.
Produção do Centro-Sul é revisada para baixo
Para a safra 2026/27, o Itaú BBA reduziu em 400 mil toneladas sua estimativa para a produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil.
A projeção passou para 38,9 milhões de toneladas.
A revisão está relacionada principalmente às condições observadas no campo e ao ritmo de processamento das usinas. O excesso de chuvas tem dificultado a moagem e também afetado a qualidade da cana que chega às unidades industriais.
O teor de açúcar recuperável da cana, conhecido como ATR, foi revisado de 138,3 para 136,4 quilos por tonelada.
Além do clima mais úmido, a pior qualidade da matéria-prima está relacionada ao aumento do volume de impurezas e à necessidade de manutenção de um ritmo elevado de processamento.
Mesmo com uma parcela maior da cana direcionada à produção de açúcar, o chamado mix açucareiro, estimado em 46,8% no Centro-Sul, não foi suficiente para compensar os efeitos da menor moagem e do ATR mais baixo.
Chuvas podem continuar pressionando a moagem
O comportamento do clima nas próximas semanas também está no radar do mercado.
A expectativa de setembro e outubro mais chuvosos pode continuar dificultando a entrada de máquinas no campo e pressionar o calendário de moagem.
As usinas ainda podem estender as operações até dezembro para tentar recuperar parte do atraso. No entanto, segundo o Itaú BBA, essa recuperação dependerá das condições climáticas e do desempenho das unidades industriais nos próximos meses.
Déficit global aumenta
A revisão da produção brasileira, somada a ajustes negativos nas estimativas para outros produtores, como América Central, Estados Unidos e Austrália, levou o Itaú BBA a aumentar sua projeção para o déficit mundial de açúcar na safra 2026/27.
A estimativa passou a apontar para um déficit de 2,1 milhões de toneladas.
O cenário aumenta a preocupação com a disponibilidade global do produto justamente em um período de incertezas envolvendo importantes países produtores e consumidores.
Índia segue no centro das atenções
A situação da Índia é outro fator importante para o mercado.
O governo indiano autorizou a importação de 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifas, em uma tentativa de garantir o abastecimento interno e conter os preços.
Também foram autorizadas medidas para que refinarias redirecionem ao mercado doméstico parte do açúcar que seria destinado à exportação. Além disso, o limite de estoques que podem permanecer nas mãos dos comerciantes foi reduzido.
As medidas ajudaram a diminuir os preços dentro da Índia e reduziram a atratividade das importações para as tradings.
Com isso, a expectativa é de que as compras efetivas do país fiquem entre 300 mil e 600 mil toneladas, abaixo do limite de 1 milhão de toneladas autorizado pelo governo.
A possibilidade de uma necessidade maior de açúcar para atender ao consumo interno mantém a Índia entre os principais pontos de atenção do mercado.
Fundos aumentam apostas na alta
O mercado financeiro também apresentou uma mudança importante de posicionamento.
Depois de permanecerem na ponta vendedora, os fundos passaram a apostar na valorização do açúcar. Dados citados pelo Itaú BBA mostram que a posição líquida comprada chegou a 238.684 contratos em 1º de setembro, o maior nível desde janeiro de 2023.
O movimento indica uma percepção maior de risco sobre a oferta e ajudou a dar força às cotações do açúcar em Nova York.
Apesar disso, a valorização não depende somente de uma oferta mais apertada. Para o Itaú BBA, a demanda física ainda precisa apresentar uma reação mais consistente para sustentar uma nova rodada de alta.
Petróleo e cenário internacional influenciam
O ambiente internacional também contribuiu para o movimento das commodities.
O petróleo Brent ultrapassou os US$ 100 por barril, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio e à percepção de que o conflito pode se prolongar.
Além disso, a guerra entre Rússia e Ucrânia, o avanço do El Niño e as preocupações com a inflação mundial aumentam a instabilidade nos mercados.
Dessa forma, o mercado de açúcar chega às próximas semanas diante de uma combinação de produção menor no Centro-Sul brasileiro, incertezas sobre o abastecimento da Índia, condições climáticas desfavoráveis e maior participação dos fundos nas compras.
O cenário favorece a sustentação dos preços, mas uma valorização mais consistente ainda dependerá da reação da demanda física.
Share this content:







