Sede excessiva, perda de peso e cansaço podem indicar diabetes tipo 1 em crianças

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune que afeta milhares de crianças e adolescentes no Brasil. Apesar disso, o desconhecimento sobre os sinais iniciais ainda representa um dos principais desafios para o diagnóstico precoce.
O tema ganhou destaque durante entrevista concedida por Edson Garcia, secretário-geral do Instituto Super Gugu, ao PN7 em Pauta. A entidade surgiu em Jataí após o diagnóstico de diabetes tipo 1 em uma criança de apenas um ano de idade. Desde então, o instituto atua no acolhimento de famílias e na conscientização sobre a doença.
Segundo Edson, muitos pais demoram a perceber os primeiros sintomas porque eles podem ser confundidos com situações comuns da infância.
“Os principais sinais são a sede excessiva, a criança começar a urinar muitas vezes ao dia, perda de peso sem motivo aparente e um cansaço fora do normal. Muitas famílias acabam não associando esses sintomas ao diabetes.”
Diagnóstico rápido pode evitar complicações
De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o diabetes tipo 1 ocorre quando o sistema imunológico ataca as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. Como consequência, o organismo perde a capacidade de controlar adequadamente os níveis de glicose no sangue.
Além disso, a doença não possui relação direta com o consumo excessivo de açúcar, ao contrário do que muitas pessoas acreditam.
Segundo dados da Federação Internacional de Diabetes (IDF), o Brasil está entre os países com maior número de crianças e adolescentes convivendo com diabetes tipo 1.
Por isso, especialistas reforçam que identificar rapidamente os sinais da doença é fundamental para evitar complicações graves.
“A informação salva vidas. Quanto mais cedo acontece o diagnóstico, mais rápido a criança inicia o tratamento e menores são os riscos de complicações”, afirmou Edson Garcia.
Sintomas merecem atenção imediata
Os sintomas do diabetes tipo 1 costumam surgir rapidamente. Em muitos casos, eles aparecem ao longo de poucos dias ou semanas.
Entre os principais sinais estão:
- Sede excessiva;
- Aumento da frequência urinária;
- Perda de peso sem explicação;
- Fome excessiva;
- Cansaço constante;
- Irritabilidade;
- Sonolência;
- Visão embaçada.
Dessa forma, qualquer alteração significativa no comportamento da criança deve ser observada pelos pais e responsáveis.
Além disso, a orientação é procurar avaliação médica sempre que os sintomas persistirem.
Cetoacidose diabética preocupa especialistas
Quando o diagnóstico demora a acontecer, o paciente pode desenvolver uma complicação grave conhecida como cetoacidose diabética.
Nesse cenário, a falta de insulina faz com que o organismo utilize gordura como fonte de energia. Como resultado, ocorre a produção excessiva de substâncias chamadas cetonas.
Consequentemente, o paciente pode apresentar desidratação severa, alterações respiratórias e até perda de consciência.
Segundo o Ministério da Saúde, a cetoacidose diabética está entre as principais causas de internação de crianças diagnosticadas tardiamente com diabetes tipo 1.
Entre os sinais de alerta estão:
- Náuseas;
- Vômitos;
- Dor abdominal;
- Respiração acelerada;
- Hálito adocicado;
- Sonolência intensa;
- Confusão mental.
Diante disso, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.
Tecnologia ajuda no controle da doença
Embora ainda não exista cura para o diabetes tipo 1, os avanços da medicina têm permitido mais qualidade de vida aos pacientes.
Atualmente, o tratamento envolve aplicação de insulina, acompanhamento médico regular, alimentação equilibrada e monitoramento constante da glicemia.
Além disso, sensores de monitoramento contínuo da glicose passaram a facilitar o acompanhamento da doença.
Esses dispositivos permitem visualizar os níveis de glicose em tempo real. Dessa maneira, pacientes e familiares conseguem tomar decisões mais rápidas sobre o tratamento.
Segundo Edson Garcia, a tecnologia trouxe ganhos importantes para quem convive com o diabetes.
“Hoje existem recursos que ajudam muito no controle da doença. O problema é que nem todas as famílias conseguem ter acesso a essas tecnologias por causa do custo.”
No entanto, o valor dos equipamentos ainda representa um desafio para muitas famílias brasileiras.
Informação continua sendo a principal aliada
Além do apoio às famílias, o Instituto Super Gugu promove ações educativas voltadas à conscientização da população.
Ao mesmo tempo, a entidade busca combater a desinformação sobre a doença e incentivar o diagnóstico precoce.
O objetivo é ampliar o conhecimento sobre o diabetes tipo 1 e reduzir os casos de diagnóstico tardio.
Segundo Edson Garcia, conhecer os sintomas pode fazer toda a diferença para a saúde das crianças.
“Quando os pais conhecem os sinais e sabem o que observar, aumentam as chances de procurar ajuda rapidamente. Isso pode fazer toda a diferença para a saúde da criança.”
Por fim, especialistas reforçam que informação, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento são os principais aliados para garantir mais qualidade de vida às pessoas que convivem com o diabetes tipo 1.
Assim, pais, responsáveis, profissionais da saúde e educadores podem contribuir para que os sinais da doença sejam identificados mais cedo e para que o tratamento comece o quanto antes.
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