El Niño ganha força e muda cenário das lavouras no Brasil

El Niño ganha força e muda cenário das lavouras no Brasil

O avanço do El Niño começa a modificar as condições climáticas nas principais regiões produtoras do mundo e coloca o planejamento da próxima safra no centro das atenções. No Brasil, o fenômeno deve alterar a distribuição das chuvas entre agosto e outubro, criando cenários diferentes para as lavouras conforme a região.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A mudança no padrão climático não significa necessariamente prejuízo para todas as culturas. Os impactos dependem da localização das áreas produtoras, do estágio de desenvolvimento das plantas e da quantidade e do momento das precipitações.

No Sul do Brasil, o principal ponto de atenção está sobre o trigo, cultura que concentra mais de 80% da produção nacional na região. O aumento das chuvas pode provocar períodos prolongados de umidade, dificultar o manejo e favorecer doenças fúngicas.

A menor disponibilidade de radiação solar também pode prejudicar o enchimento dos grãos. Segundo a análise apresentada pela EarthDaily, setembro será um período importante para o desenvolvimento das lavouras de trigo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Cenários diferentes pelo mundo

Os efeitos do El Niño não são iguais entre os grandes produtores agrícolas. Na Argentina, por exemplo, as chuvas registradas desde julho aumentaram a umidade do solo nas principais áreas produtoras, criando condições consideradas favoráveis para o desenvolvimento do trigo.

No Canadá, as lavouras das Pradarias também apresentam boas condições. As chuvas registradas no primeiro semestre ajudaram a manter o potencial produtivo do trigo acima do observado em 2023, apesar de julho ter sido mais seco.

Na Austrália, entretanto, o cenário é mais preocupante. A redução das chuvas na Austrália Ocidental e a previsão de precipitações abaixo da média em partes do país aumentam a preocupação com trigo, cevada e canola.

A Índia também enfrenta um quadro de atenção. As chuvas de monção ficaram abaixo da média em diferentes regiões, atingindo áreas produtoras de milho e soja.

E a soja e o milho?

Nos Estados Unidos, ainda não há uma definição clara sobre os efeitos do fenômeno sobre as lavouras de soja e milho no Meio-Oeste. O impacto dependerá principalmente do comportamento das chuvas durante o ciclo produtivo.

No Brasil, a mudança do regime de precipitações exige atenção especial no planejamento da safra 2026/27. Para o produtor, acompanhar as atualizações meteorológicas e adaptar as decisões de plantio e manejo pode ser importante diante de um cenário climático mais irregular.

No Centro-Oeste, onde Goiás tem forte participação na produção de soja e milho, a distribuição das chuvas será um dos principais fatores de acompanhamento durante o início da nova temporada agrícola.

A preocupação não está apenas no volume acumulado, mas também na regularidade das precipitações. Períodos de excesso ou falta de chuva em momentos críticos podem afetar o estabelecimento das plantas e o potencial produtivo.

Clima exige planejamento

A presença do El Niño reforça a importância do monitoramento climático dentro da atividade rural. A Embrapa já apresentou ao governo federal 163 medidas para reduzir riscos climáticos no campo, incluindo recomendações relacionadas a monitoramento, manejo, irrigação, seguro rural e adaptação das propriedades.

Para o produtor, a combinação entre informação meteorológica, planejamento e tecnologias de manejo pode ajudar a reduzir a exposição aos eventos extremos.

O cenário internacional mostra que o mesmo fenômeno pode trazer excesso de chuva para uma região e redução das precipitações em outra. Por isso, a próxima safra deverá ser acompanhada cada vez mais de perto, com decisões adaptadas à realidade de cada área produtora.

Share this content:

Gessica Vieira

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.