Produção de café deve fechar 2026 com 67,6 milhões de sacas

Produção de café deve fechar 2026 com 67,6 milhões de sacas
Conab estima recorde histórico, impulsionado pelo aumento da área em produção e pela melhora da produtividade média
A produção brasileira de café deve alcançar 67,6 milhões de sacas de café beneficiado em 2026, segundo o terceiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Com 99% da área já colhida, a estimativa representa crescimento de 19,6% em relação à safra de 2025 e configura o maior resultado da série histórica da Companhia.
O desempenho é explicado pelo aumento da área em produção e pela melhora da produtividade média nacional. A área produtiva deve crescer 5,1%, chegando a 1,95 milhão de hectares. Já a produtividade deve avançar 13,8%, passando de 30,4 para 34,6 sacas por hectare.
Segundo a Conab, além das características fisiológicas da planta em um ano de bienalidade positiva, o resultado também está relacionado ao uso crescente de tecnologias no manejo das lavouras e às condições climáticas mais favoráveis.
Café arábica impulsiona resultado
O café arábica, responsável por cerca de 70% da produção brasileira, deve alcançar 48,2 milhões de sacas em 2026. O volume representa aumento de 34,8% em relação ao ano anterior.
Minas Gerais concentra grande parte dessa produção, com estimativa de 34,96 milhões de sacas de arábica. No sul e centro-oeste mineiro, a produção deve chegar a 15,93 milhões de sacas.
A Conab aponta que o ciclo de bienalidade positiva, a melhor distribuição das chuvas antes da floração e as condições climáticas favoráveis até março contribuíram para a formação dos grãos e para o desempenho das lavouras mineiras.
Em São Paulo, as condições climáticas também favoreceram os cafezais. A produção de arábica está estimada em 6,19 milhões de sacas, beneficiada por chuvas regulares e bem distribuídas, temperaturas amenas e condições compatíveis com o ciclo da cultura.
Conilon apresenta cenário diferente
Para o café conilon, a previsão é de produção de 19,4 milhões de sacas em 2026, uma redução de 6,6% em relação ao ano passado.
Apesar do aumento de 4% na área em produção, estimada em 386,6 mil hectares, a produtividade nacional da variedade deve ser menor.
No Espírito Santo, principal produtor de conilon do país, a produção total de café deve cair 5,4%. A redução está relacionada principalmente à florada irregular do conilon, provocada pelas baixas temperaturas registradas na região produtora.
A produção de conilon no estado deve recuar 14,3%, para 12,1 milhões de sacas.
Por outro lado, o café arábica capixaba apresenta previsão de crescimento de 33%, chegando a 4,38 milhões de sacas. O resultado é atribuído às condições climáticas favoráveis, ao aumento de 4,9% da área em produção e ao ciclo de alta bienalidade.
Rondônia amplia produção de conilon
Em Rondônia, onde o cultivo é exclusivamente de conilon, o ciclo está praticamente encerrado.
Com 98% das áreas em produção colhidas até o fim de agosto, a Conab estima uma produção de 2,88 milhões de sacas, crescimento de 24% em relação a 2025.
As condições climáticas, especialmente a regularidade das chuvas durante o desenvolvimento da cultura, contribuíram para a qualidade e o rendimento dos grãos.
A Conab também destaca o uso de tecnologia adotado por parte dos produtores como um dos fatores associados ao desempenho das lavouras.
Bahia também registra crescimento
Outro importante estado produtor, a Bahia, deve registrar crescimento de 1,2% na produção total de café.
O resultado está relacionado à regularidade das condições climáticas, ao maior investimento em insumos e à entrada de novas áreas em produção.
Do total estimado para o estado, 1,19 milhão de sacas são de arábica e 3,3 milhões de sacas de conilon.
Exportações aumentam em agosto
O mercado externo também apresentou movimento importante.
Em agosto de 2026, o Brasil exportou 3,8 milhões de sacas de 60 quilos, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O volume foi o maior registrado para o mês na série histórica, com crescimento de 25,8% em relação a julho e de 43,2% na comparação com agosto de 2025.
Apesar do desempenho mensal, as exportações acumuladas entre janeiro e agosto somaram 24,6 milhões de sacas, queda de 6,6% em relação ao mesmo período de 2025.
Produção mundial também deve crescer
No cenário internacional, a produção mundial de café para a temporada 2026/27 está estimada em 189,7 milhões de sacas de 60 quilos, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O volume representa crescimento de 6,1% em relação à temporada anterior.
O consumo mundial também deve aumentar, chegando a 179,7 milhões de sacas, alta de 3,6%.
O crescimento da demanda ocorre tanto em mercados tradicionais, como Europa, Estados Unidos e Brasil, quanto em mercados em expansão, como a China.
Ao mesmo tempo, a entrada da safra brasileira, a proximidade da colheita no Vietnã e o aumento sazonal da produção colombiana pressionam as cotações internacionais do café.
Mesmo com a recuperação da produção em importantes países produtores, os estoques permanecem em níveis baixos e a demanda mundial continua em crescimento.
As previsões de El Niño para o ciclo 2026/27 também permanecem no radar do mercado, já que mudanças climáticas podem afetar a produção em diferentes regiões produtoras.








