Clima e El Niño aumentam pressão sobre preços mundiais dos alimentos

Agora, a segunda pauta exige uma correção em relação à primeira análise que fiz: a informação mais recente disponível aponta que o Índice de Preços dos Alimentos da FAO atingiu 133,3 pontos em agosto, maior patamar desde novembro de 2022. A alta mensal foi de aproximadamente 2,2%.
As condições climáticas adversas em importantes regiões produtoras, somadas às incertezas envolvendo o El Niño e às tensões geopolíticas, voltaram a adicionar pressão ao mercado internacional de alimentos.
O movimento interessa diretamente ao agronegócio brasileiro porque envolve commodities relevantes para o país e pode alterar preços, custos, fluxo comercial e decisões de produção.
Açúcar registra uma das maiores altas
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Entre os destaques está o açúcar.
Os preços internacionais avançaram aproximadamente 12% em agosto, influenciados por preocupações relacionadas à produção e às condições climáticas.
Como o Brasil ocupa posição central no mercado mundial de açúcar, mudanças nas expectativas para a produção brasileira possuem capacidade de influenciar as cotações internacionais.
Milho também fica mais caro
Outro produto diretamente ligado ao produtor brasileiro é o milho.
A commodity apresentou alta de aproximadamente 2,5% no mercado internacional em agosto.
Além das condições climáticas, a demanda para produção de biocombustíveis também aparece entre os elementos que ajudam a movimentar o mercado.
Para Goiás, esse comportamento merece atenção. O estado está entre os grandes produtores nacionais do cereal, utilizado tanto para exportação quanto para abastecimento das cadeias de proteína animal e produção de etanol.
El Niño aumenta incerteza
O mercado também acompanha os riscos relacionados ao El Niño.
Alterações no regime de chuvas e temperaturas podem afetar diferentes regiões produtoras do planeta, reduzindo produtividade ou modificando calendários agrícolas.
Os óleos vegetais, por exemplo, avançaram cerca de 0,6%, em um ambiente de preocupação com as condições climáticas no Sudeste Asiático e aumento da utilização de óleo de soja na produção de biocombustíveis.
O problema não está apenas em uma commodity específica.
Quando eventos climáticos atingem simultaneamente diferentes regiões produtoras, o mercado passa a incorporar um risco maior às cotações.
Geopolítica também pesa
O clima não explica sozinho a movimentação dos preços.
Conflitos e tensões internacionais também interferem no mercado agrícola porque podem afetar transporte marítimo, disponibilidade de fertilizantes, energia e fluxo de commodities.
A região do Mar Negro é particularmente importante para o comércio mundial de grãos. Qualquer problema envolvendo produção ou escoamento pode provocar reação nas bolsas internacionais.
O mesmo ocorre quando conflitos interferem no petróleo e nos fertilizantes, elevando custos de produção e transporte.
Produtor brasileiro acompanha os dois lados da conta
Para o agronegócio brasileiro, um cenário de commodities valorizadas pode representar melhores oportunidades de comercialização.
Mas existe outro lado
Combustíveis, fertilizantes, fretes e outros insumos também podem ficar mais caros em períodos de instabilidade internacional.
É por isso que a combinação entre El Niño, eventos climáticos extremos e tensões geopolíticas merece atenção justamente quando o Brasil começa a avançar para uma nova temporada agrícola.
Em Goiás, onde o produtor se prepara para a safra 2026/27, comportamento das chuvas e evolução das cotações internacionais estarão entre os principais indicadores acompanhados nas próximas semanas.
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