Pecuaristas ampliam uso de boitéis para acelerar engorda do gado

O uso de boitéis — sistema de confinamento terceirizado de bovinos — tem se consolidado como estratégia cada vez mais adotada por pecuaristas brasileiros para acelerar a engorda do gado e otimizar a produção nas propriedades rurais.
De acordo com o médico veterinário Wesley Borba, gerente executivo de confinamentos da JBS, o modelo funciona como uma extensão das fazendas, permitindo maior giro de estoque do boi gordo com alto desempenho produtivo. Além disso, contribui diretamente para a preservação das pastagens, especialmente em períodos críticos de seca.
Outro fator que tem impulsionado a adesão ao sistema é a ausência de necessidade de investimento inicial por parte do produtor. O modelo também oferece flexibilidade nos contratos, o que facilita o planejamento financeiro e operacional das propriedades.
Atualmente, a JBS opera seis unidades estratégicas de confinamento distribuídas entre estados com forte presença na pecuária de corte, como São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Juntas, essas estruturas possuem capacidade para mais de 100 mil cabeças de gado.
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Com uma média de três ciclos de engorda por ano, a projeção da companhia é alcançar a entrega de até 300 mil animais terminados ao mercado até 2026, ampliando a oferta de carne com padrão de qualidade.
O sistema aceita lotes a partir de 60 cabeças e disponibiliza três modalidades de acerto comercial. Segundo Borba, o período ideal de permanência no confinamento varia entre 95 e 110 dias, tempo necessário para atingir o nível adequado de gordura de cobertura.
A evolução na percepção dos pecuaristas também é destaque. O que antes era visto como alternativa emergencial passou a ser incorporado ao planejamento estratégico anual das propriedades, proporcionando maior previsibilidade de receita e melhor uso das áreas de pastagem.
O desempenho dos animais também está diretamente ligado à qualidade genética. Monitoramentos realizados nas unidades de confinamento indicam que bovinos oriundos de criatórios profissionais apresentam melhor conversão alimentar e maior ganho de carcaça. Já animais de linhagens inferiores tendem a registrar desempenho reduzido.
Além da estrutura, o sistema conta com suporte técnico especializado. Equipes de campo auxiliam os produtores na avaliação dos lotes e na projeção de ganho de peso antes do envio aos confinamentos.
A recomendação é evitar que o gado perca peso durante períodos de pastagem seca — prática considerada um erro de gestão. Nesse cenário, a utilização dos boitéis surge como alternativa para reduzir riscos, controlar custos e manter a eficiência produtiva ao longo do ano.
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