Operações do ICE afetam frigoríficos e aumentam pressão sobre preço da carne nos EUA

Operações do ICE afetam frigoríficos e aumentam pressão sobre preço da carne nos EUA

Operações de fiscalização migratória realizadas pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) estão provocando impactos na cadeia da carne bovina no sudoeste do Kansas. A presença de agentes na região levou parte dos trabalhadores a faltar ao serviço e contribuiu para atrasos no encaminhamento de milhares de bovinos aos frigoríficos, segundo entidades ligadas à pecuária.

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O reflexo ocorre em uma das principais regiões de processamento de carne bovina dos Estados Unidos, onde estão concentradas unidades frigoríficas em cidades como Dodge City, Liberal e Garden City. A redução da mão de obra disponível afetou o funcionamento de empresas do setor e provocou acúmulo de animais que aguardavam o transporte para as unidades de abate.

Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicaram uma queda no ritmo de abate de bovinos durante a semana. Na quinta-feira, 24 de setembro, o número de animais abatidos ficou cerca de 16% abaixo do registrado uma semana antes, enquanto na quarta-feira a redução foi de aproximadamente 9%.

As interrupções preocupam produtores e empresas porque acontecem em um mercado que já enfrenta oferta limitada de gado. Associações de pecuaristas do Kansas, Oklahoma e Texas afirmaram que os atrasos atingiram diferentes pontos da cadeia, incluindo confinamentos, frigoríficos, transporte e empresas ligadas à produção de ração e grãos.

As entidades também relataram perdas financeiras provocadas pelos atrasos e alertaram para a possibilidade de aumento dos custos ao longo da cadeia. A avaliação apresentada pelo setor é que uma redução no processamento pode limitar ainda mais a disponibilidade de carne e contribuir para novas pressões sobre os preços pagos pelos consumidores.

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A situação ocorre em um momento de preços elevados da carne bovina no mercado norte-americano, em parte relacionado ao tamanho reduzido do rebanho do país. Com menos animais disponíveis para processamento, qualquer interrupção adicional na capacidade dos frigoríficos pode ampliar a pressão sobre uma cadeia que já opera com oferta mais restrita.

O governo dos Estados Unidos confirmou a presença de agentes federais no Kansas, mas o Departamento de Segurança Interna afirmou que as ações não tinham como objetivo realizar operações dentro dos locais de trabalho. Entidades do setor, entretanto, relataram impactos sobre a presença dos funcionários e sobre o fluxo de animais destinados ao processamento.

Além do Kansas, entidades da pecuária mencionaram efeitos relacionados às operações de fiscalização em Texas e Oklahoma. O alcance dos impactos sobre a produção nacional ainda depende da duração das interrupções e da capacidade dos frigoríficos de normalizar o processamento de bovinos.

Com a oferta de carne já pressionada, o mercado acompanha os efeitos das ações migratórias sobre o funcionamento dos frigoríficos. A possibilidade de novos aumentos para o consumidor é tratada pelas entidades do setor como um risco decorrente da combinação entre menor ritmo de processamento, atrasos logísticos e oferta limitada de animais.

Gessica Vieira

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