Brasil amplia mercado na China com novo acordo para exportação de miúdos suínos

Brasil amplia mercado na China com novo acordo para exportação de miúdos suínos

Brasil e China ampliaram o comércio de produtos suínos com a assinatura de um novo protocolo sanitário que autoriza o aumento das exportações de miúdos brasileiros para o mercado chinês. O acordo foi formalizado no sábado (26), em Brasília, e abre novas possibilidades comerciais para frigoríficos habilitados.

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A medida amplia a relação de produtos de origem suína que podem ser enviados à China. Entre os itens contemplados estão estômago, fígado, coração, rins, língua, orelhas, cauda, pés, pele, cartilagem e outros coprodutos comestíveis, conforme os requisitos sanitários estabelecidos entre os dois países.

Segundo estimativas da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), mais de 100 mil toneladas de miúdos suínos brasileiros poderão ser destinadas anualmente ao mercado chinês. O potencial de receita adicional para o setor é superior a US$ 100 milhões por ano.

Novo mercado para produtos suínos

A ampliação tem importância para o aproveitamento econômico dos animais abatidos no Brasil. Produtos que apresentam menor valorização no mercado doméstico podem encontrar maior demanda no mercado chinês, onde o consumo de miúdos faz parte dos hábitos alimentares.

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Até então, o acesso brasileiro era mais limitado para determinados miúdos. Santa Catarina, por exemplo, já possuía autorização para exportar alguns produtos externos, como pés, orelhas e rabos, mas a ampliação passa a contemplar também miúdos internos.

A expectativa do setor é de que a abertura permita uma utilização mais ampla da produção e aumente o retorno obtido pelos frigoríficos com diferentes partes do animal.

Habilitação dos frigoríficos

A assinatura do protocolo não significa que todos os frigoríficos brasileiros estejam automaticamente autorizados a embarcar os produtos. As empresas interessadas ainda precisam cumprir os procedimentos de habilitação e atender às exigências sanitárias acordadas entre Brasil e China.

As negociações para a revisão do protocolo avançaram ao longo de 2026. Em maio, autoridades dos dois países já haviam concluído entendimentos técnicos sobre os requisitos sanitários e quarentenários necessários para a comercialização de carne suína e seus subprodutos.

O processo ganhou força após o reconhecimento do Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação, condição que contribuiu para ampliar as possibilidades de negociação de produtos de origem animal com o mercado chinês.

China mantém importância para o agronegócio brasileiro

A China é atualmente o principal comprador de produtos do agronegócio brasileiro. Dados do Ministério da Agricultura apontam que o país asiático respondeu por 36,1% das exportações brasileiras do setor em 2023, maior participação registrada na série histórica da pasta até aquele momento.

No setor de proteínas, a relação comercial entre os dois países também é consolidada. Entre 2013 e 2024, o Brasil exportou 2,7 milhões de toneladas de carne suína para a China, segundo a ABPA.

Com o novo protocolo, o setor brasileiro passa a contar com mais uma alternativa para comercializar produtos suínos e ampliar o aproveitamento econômico da produção nacional.

Gessica Vieira

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