Ociosidade em frigoríficos pressiona arroba do boi no curto prazo

O mercado físico do boi gordo voltou a operar sob pressão nas cotações da arroba ao longo da semana, refletindo um cenário de ajuste entre oferta e demanda. Mesmo com dificuldades na formação das escalas de abate, frigoríficos passaram a testar valores mais baixos na compra de animais.
De acordo com o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o movimento ocorre em meio à proximidade do esgotamento da cota de exportação destinada à China. O volume previsto para este ano, de 1,106 milhão de toneladas, deve ser preenchido entre junho e julho.
Com isso, o Brasil pode enfrentar uma ausência parcial e temporária do principal mercado comprador de carne bovina, o que tende a impactar diretamente o ritmo da indústria.
Diante desse cenário, frigoríficos já começam a readequar suas operações. A tendência é de redução no número de abates diários, aumento da capacidade ociosa e diminuição dos turnos de produção, em busca de equilíbrio frente à nova realidade de demanda.
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Queda nos preços da arroba em diferentes regiões
Os preços da arroba do boi registraram recuos em importantes praças pecuárias do país. Em São Paulo, a cotação caiu para R$ 350, representando baixa de 1,41% em relação à semana anterior.
Em Goiás, com forte impacto regional, o valor recuou para R$ 325 em Goiânia, queda de 4,41%. Já em Minas Gerais, na praça de Uberaba, a arroba também foi cotada a R$ 325, com retração de 1,52%.
Outros estados seguiram a mesma tendência. Em Mato Grosso do Sul, Dourados registrou R$ 342, com leve queda de 0,8%. Em Cuiabá, no Mato Grosso, o preço caiu para R$ 350, retração de 2,78%. Já em Vilhena, Rondônia, a arroba foi negociada a R$ 335, queda de 2,90%.
Mercado atacadista mantém estabilidade
Apesar da pressão no mercado físico, o setor atacadista apresentou estabilidade nos preços ao longo da semana. Ainda assim, existe expectativa de recuperação no curto prazo, impulsionada por aumento de consumo em períodos específicos.
Segundo o analista, eventos como jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo podem estimular a demanda por carne bovina. No entanto, a competitividade com outras proteínas, especialmente a carne de frango, ainda limita avanços mais expressivos.
No atacado, o quarto do dianteiro foi precificado a R$ 21,70 por quilo, enquanto os cortes do traseiro bovino ficaram em R$ 27 por quilo.
Exportações seguem em alta no acumulado do mês
Mesmo com os desafios no mercado interno, as exportações brasileiras de carne bovina continuam em ritmo elevado. Até o momento, em junho, o país já arrecadou US$ 850,786 milhões, considerando nove dias úteis.
A média diária chegou a US$ 94,531 milhões, com volume total exportado de 129,685 mil toneladas e média diária de 14,409 mil toneladas.
O preço médio da tonelada foi de US$ 6.560,40. Em comparação com junho de 2025, houve crescimento de 44% no valor médio diário exportado, aumento de 19,6% no volume e alta de 20,4% no preço médio.
Mesmo com desempenho positivo nas exportações, o cenário de curto prazo indica cautela, com expectativa de pressão sobre os preços da arroba até que haja maior equilíbrio entre oferta, demanda e mercado externo.
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