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Preço do leite cai no mercado e preocupa produtores

O mercado do leite enfrenta um cenário de pressão com o aumento da oferta nacional, as importações de lácteos e a queda nas cotações do mercado spot. Em Goiás, o preço médio spot chegou a R$ 2,49 por litro na segunda quinzena de outubro. Ao mesmo tempo, os custos de alimentação do rebanho voltaram a subir. Entenda o que está por trás desse movimento e o que pode acontecer nos próximos meses.

Maior oferta e importações pressionam o mercado do leite no Brasil

O mercado brasileiro do leite enfrenta um cenário de pressão no fim de outubro de 2026. O aumento da oferta nacional, as importações de lácteos e a dificuldade de escoamento de alguns derivados contribuem para a queda das cotações, enquanto os custos de alimentação do rebanho voltam a subir. O movimento preocupa produtores que temem uma redução na remuneração nos próximos meses.

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Na segunda quinzena de outubro, o preço médio do leite no mercado spot recuou R$ 0,059 por litro em relação à quinzena anterior, chegando a R$ 2,586 por litro, segundo levantamento do MilkPoint Mercado.

Em Goiás, a cotação média foi de R$ 2,490 por litro, após queda de R$ 0,040. Em Minas Gerais, a retração chegou a R$ 0,120, com o preço médio em R$ 2,589 por litro.

Os valores do mercado spot representam negociações de leite cru entre agentes da cadeia e não correspondem diretamente ao pagamento recebido pelo produtor pelo leite captado.

Oferta de leite aumenta no mercado brasileiro

A recuperação sazonal da produção é um dos fatores que ajudam a explicar a pressão sobre os preços. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), o Índice de Captação de Leite avançou 2,38% em julho e 3,86% em agosto, sempre na comparação com o mês anterior.

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Com mais matéria-prima disponível, a indústria enfrenta o desafio de equilibrar a produção com a demanda por derivados lácteos. A reposição cautelosa do varejo e a procura doméstica menos aquecida também dificultam a recuperação das cotações.

A situação pode continuar pressionando o mercado enquanto a oferta crescer mais rapidamente do que a capacidade de absorção dos produtos.

Importações ampliam a disponibilidade de lácteos

As compras externas também contribuem para a oferta no mercado interno. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Cepea, mostram que o Brasil importou 249,6 milhões de litros de leite em equivalente-leite em setembro.

O volume representou alta de 8,38% em relação a agosto e de 25,99% na comparação com setembro de 2025.

O leite em pó respondeu por aproximadamente 69,8% do volume importado, enquanto os queijos representaram 29,6%.

A entrada de produtos estrangeiros amplia as alternativas de abastecimento e aumenta a concorrência enfrentada pela indústria nacional. Entretanto, as importações não são o único fator responsável pela queda das cotações.

Derivados também registram recuos

A pressão aparece nos preços de importantes derivados lácteos. No atacado paulista, o leite UHT caiu 4,76% em setembro, na comparação com agosto, chegando a aproximadamente R$ 4,69 por litro, segundo o Cepea. A muçarela recuou 2,77%, enquanto o leite em pó fracionado teve desvalorização de 4,38%.

Na primeira quinzena de outubro, o leite UHT apresentou nova queda, de 2,32%, e a muçarela recuou 2,05%, conforme o levantamento citado.

Apesar desse movimento, nem todos os derivados apresentam a mesma trajetória. Os preços variam conforme o produto e a referência de mercado utilizada.

Custos de alimentação voltam a subir

Além da pressão sobre os preços, os produtores enfrentam aumento nas despesas. O Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira subiu 0,63% em agosto e mais 0,46% em setembro, de acordo com o Cepea.

Em setembro, o grupo de concentrados registrou alta de 0,84%, com valorização de ingredientes utilizados na alimentação do rebanho, como milho, soja em grão e farelo de soja.

A relação de troca entre leite e milho também piorou. Em agosto, foram necessários 23,19 litros de leite para comprar uma saca de 60 quilos de milho, ante 22,54 litros em julho.

Isso significa que o produtor precisou entregar mais leite para adquirir a mesma quantidade do cereal, embora a relação ainda estivesse mais favorável do que a média dos últimos 12 meses.

Se os preços pagos ao produtor recuarem enquanto os custos aumentam, a margem da atividade poderá ficar ainda mais pressionada. O impacto, porém, varia conforme a produtividade, o sistema de produção e as despesas de cada propriedade.

O que esperar para os próximos meses?

A perspectiva de curto prazo continua marcada pela maior oferta, pelas importações e pela dificuldade de escoamento de determinados derivados. Esses fatores limitam a recuperação das cotações, especialmente se a demanda interna permanecer enfraquecida.

No mercado internacional, o cenário apresenta sinais diferentes. O índice geral do leilão Global Dairy Trade subiu 2,5%, com preço médio de US$ 4.021 por tonelada, segundo o MilkPoint Mercado. O leite em pó integral avançou 4,4%.

Essa valorização, entretanto, não significa uma recuperação automática dos preços brasileiros. A influência sobre o mercado nacional depende do câmbio, da competitividade dos importados, da disponibilidade de leite e do comportamento da demanda.

O clima também pode alterar as perspectivas de produção mais adiante. Segundo a análise citada pelo Cepea, possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre as condições meteorológicas podem limitar a expansão da oferta, mas esse cenário ainda depende da evolução das condições climáticas.

Para os produtores, os próximos indicadores de preços ao produtor, captação, importações e custos de alimentação serão decisivos para avaliar se a pressão sobre o mercado continuará ou se haverá espaço para recuperação até o início de 2027.