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Bioinsumos crescem 40% em Goiás e movimentam R$ 229 milhões

O uso de bioinsumos ganha espaço nas lavouras goianas, impulsionado pela busca por redução de custos e alternativas no manejo agrícola. Mas a expansão também traz desafios relacionados à pesquisa, à assistência técnica, à regulamentação e ao controle de qualidade. Entenda o que está por trás desse crescimento.

Bioinsumos crescem 40% em Goiás e movimentam R$ 229 milhões

O uso de bioinsumos está ganhando espaço na agricultura goiana. A área tratada com produtos biológicos passou de aproximadamente 5 milhões para 7 milhões de hectares, um crescimento de 40% em relação à safra anterior. No primeiro semestre de 2026, o mercado estadual movimentou R$ 229 milhões, com alta de 12,8% nas vendas, segundo dados da CropLife Brasil divulgados pelo Jornal Opção.

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O avanço acompanha a busca dos produtores por alternativas para reduzir custos de produção, ampliar as ferramentas de controle de pragas e doenças e diminuir a dependência de determinados insumos importados.

No mesmo período, o mercado brasileiro de bioinsumos alcançou R$ 1,82 bilhão, crescimento de 9%. As vendas de bioinseticidas em Goiás chegaram a R$ 84 milhões, aumento de 40% em comparação com o primeiro semestre de 2025.

Apesar da expansão, especialistas destacam que o crescimento dos produtos biológicos não significa a substituição integral dos defensivos químicos. A estratégia mais comum ainda combina diferentes tecnologias, conforme a cultura agrícola, a praga ou doença e as condições de cada propriedade.

Por que os bioinsumos estão ganhando espaço?

Um dos principais fatores é a possibilidade de reduzir despesas com fertilizantes e defensivos. Segundo Pedro Leonardo Rezende, subsecretário da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a instabilidade dos preços dos insumos químicos e a dependência de fornecedores internacionais contribuem para ampliar o interesse pelas alternativas biológicas.

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Os bioinsumos incluem produtos utilizados no controle de insetos, fungos e nematoides, além de microrganismos que ajudam no desenvolvimento das raízes, na absorção de nutrientes e na fertilidade biológica do solo.

A fixação biológica de nitrogênio na soja é um exemplo consolidado de tecnologia baseada em microrganismos que pode substituir parte da adubação nitrogenada convencional.

Bioinsumos não substituem todos os defensivos

Embora a área tratada tenha crescido, especialistas ressaltam que os produtos biológicos possuem aplicações específicas e nem sempre oferecem resultados equivalentes aos químicos em todas as situações.

Lucas Lopes de Castro, da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), explica que o manejo integrado continua sendo importante. Em algumas etapas, como o tratamento de sementes e a aplicação no sulco de plantio, os produtos biológicos podem ser utilizados isoladamente. Já no controle de determinadas pragas e doenças, a combinação com produtos convencionais pode ser necessária.

A resistência de algumas pragas aos princípios ativos químicos também estimula a busca por novas ferramentas de controle. Segundo Rodrigo Baiocchi, coordenador do Programa de Agrotóxicos da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), a mosca-branca é um exemplo de organismo que desenvolveu resistência a diferentes princípios ativos.

Produtores relatam redução nos custos

Experiências em propriedades goianas mostram resultados que variam conforme o sistema de produção, as tecnologias adotadas e o acompanhamento técnico.

Em Urutaí, a produtora Fernanda de Souza Ferreira relata uma redução superior a 30% nos custos de produção em comparação com propriedades que utilizam manejo convencional. Ela trabalha com diferentes culturas, entre elas soja, milho, tomate, ervilha e sorgo, e mantém estrutura própria para produção e acompanhamento de microrganismos.

O produtor Sudário Júnior também relata mudanças no manejo de doenças foliares. Segundo ele, a propriedade reduziu de quatro para uma, em média, as aplicações de fungicidas químicos por safra. Os resultados descritos são experiências individuais e não representam uma média aplicável a todas as propriedades.

Especialistas alertam que a produção própria de bioinsumos exige cuidados rigorosos com higiene, armazenamento, concentração dos microrganismos e controle de contaminação. Sem esses procedimentos, a qualidade e a eficiência dos produtos podem ser comprometidas.

Goiás investe em pesquisa e biofábricas

O estado foi pioneiro na criação de um programa estadual de estímulo aos bioinsumos. Em 2025, a Secretaria de Agricultura investiu aproximadamente R$ 13 milhões na implantação de biofábricas em escala científica, instaladas em instituições de pesquisa, universidades e institutos federais.

O objetivo é desenvolver microrganismos adaptados às condições do Cerrado e avaliar sua eficiência nos sistemas produtivos goianos.

A regulamentação também permanece entre os desafios. A Lei Federal nº 15.070, aprovada em dezembro de 2024, estabeleceu o marco legal dos bioinsumos, mas a aplicação das novas regras depende de regulamentações complementares. Em Goiás, a Agrodefesa trabalha na elaboração de normas estaduais para organizar a fiscalização e a produção para uso próprio.

Assistência técnica será decisiva para a expansão

Para especialistas, o crescimento do setor depende não apenas da disponibilidade de produtos, mas também de pesquisa, orientação técnica, crédito e capacitação dos profissionais que acompanham os produtores.

A aplicação de alguns microrganismos exige condições específicas de temperatura, umidade e exposição à luz solar. Por isso, a adoção pode exigir mudanças nos horários de trabalho, na estrutura da propriedade e no planejamento das operações agrícolas.

A recomendação dos produtores que já utilizam a tecnologia é começar em áreas menores, comparar os resultados com o manejo convencional e ampliar o uso gradualmente, com acompanhamento técnico.

Com o aumento da área tratada e a expansão do mercado, os bioinsumos passam a ocupar um espaço mais relevante no planejamento das lavouras goianas. O desafio agora é transformar o crescimento em resultados consistentes, com qualidade, segurança e viabilidade econômica para diferentes perfis de produtores.