Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, derrotando Flávio Bolsonaro (PL), que recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%. O resultado foi confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após um segundo turno marcado pela prorrogação inédita do horário de votação em seções eleitorais que ainda estavam abertas às 17h.
A decisão das urnas provocou manifestações distintas entre os principais envolvidos na disputa. Lula anunciou mudanças na condução do próximo mandato e afirmou que pretende governar para toda a população. Flávio Bolsonaro declarou que não reconhece o resultado e anunciou a intenção de solicitar judicialmente a anulação da eleição.
Em Goiás, o governador Daniel Vilela (MDB), que apoiou Flávio no segundo turno, reconheceu a vitória de Lula e defendeu respeito à decisão dos eleitores. O governador também cobrou responsabilidade fiscal e uma relação institucional com os estados, independentemente das diferenças políticas.
Já o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, apresentou um balanço da votação e explicou os procedimentos adotados pela Justiça Eleitoral para cumprir a decisão judicial que estendeu o horário de votação.
TSE confirma reeleição de Lula e explica prorrogação inédita
Durante pronunciamento após a apuração, Kassio Nunes Marques confirmou o resultado presidencial, reconheceu a vitória de Lula e cumprimentou os dois candidatos pela participação no segundo turno.
O ministro destacou que a eleição contou com mais de 158 milhões de brasileiros aptos a votar. Segundo o balanço apresentado, aproximadamente 128,2 milhões compareceram às urnas, enquanto a abstenção ficou em 19,21%, abaixo dos 21,08% registrados no primeiro turno.
Um dos principais assuntos da coletiva foi a prorrogação do horário de votação, determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), em razão de dificuldades relatadas no transporte de eleitores.
A medida permitiu que seções eleitorais ainda em funcionamento às 17h permanecessem abertas até as 19h, no horário de Brasília. As urnas que já haviam encerrado a votação não foram reabertas.
Segundo Nunes Marques, a decisão exigiu providências técnicas extraordinárias, já que milhares de urnas haviam sido encerradas quando a Justiça Eleitoral precisou adaptar os procedimentos de totalização.
O presidente do TSE explicou que o recebimento dos boletins de urna foi temporariamente suspenso para evitar acesso antecipado aos resultados e permitir que a apuração fosse retomada após o término da votação nas seções abrangidas pela decisão.
De acordo com o ministro, as equipes técnicas conseguiram superar as dificuldades operacionais. Ele afirmou que os procedimentos adotados preservaram a segurança da totalização.
O balanço também apontou que, das 499.248 urnas eletrônicas utilizadas no segundo turno, 1.551 precisaram ser substituídas, o equivalente a aproximadamente 0,31% do total.
Lula anuncia mudanças na gestão e fala em governar para todos
Em seu primeiro pronunciamento após a confirmação da reeleição, Lula agradeceu aos eleitores e afirmou que pretende modificar a forma de conduzir o governo federal.
O presidente reeleito declarou que a experiência da campanha trouxe aprendizados e anunciou a intenção de ampliar a participação popular nas decisões administrativas.
Entre as mudanças mencionadas, Lula destacou a comunicação digital, que deverá ocupar espaço maior na relação entre o governo e a população.
O presidente também afirmou que pretende utilizar os canais digitais para falar diretamente com os brasileiros.
Em outro momento do discurso, Lula abordou a composição do Congresso Nacional, que terá perfil mais conservador, e defendeu a necessidade de respeitar a escolha dos eleitores para o Legislativo.
Segundo ele, as diferenças políticas não devem impedir o funcionamento das instituições nem a condução das políticas públicas.
Durante o pronunciamento, Lula também apresentou prioridades para o próximo mandato. Entre elas estão investimentos em educação, economia digital, tecnologias nacionais, modernização do Sistema Único de Saúde (SUS) e ampliação da participação do governo federal na segurança pública.
O presidente mencionou ainda medidas relacionadas à proteção de idosos, políticas para mulheres e liberdade religiosa.
As declarações representam compromissos anunciados pelo presidente reeleito. A implementação das medidas dependerá de decisões administrativas, disponibilidade orçamentária e, quando necessário, aprovação de propostas pelo Congresso Nacional.
Flávio Bolsonaro não reconhece resultado e anuncia pedido de anulação
O candidato Flávio Bolsonaro contestou a conclusão da eleição presidencial e anunciou que pretende recorrer à Justiça para pedir a anulação do segundo turno.
Em declaração à imprensa, o senador afirmou que a prorrogação do horário de votação teria modificado as condições da disputa e prejudicado a igualdade entre os eleitores.
Flávio questionou a decisão tomada pelo ministro Cristiano Zanin e alegou que a medida provocou tratamento diferente entre localidades nas quais a votação continuou e aquelas onde as urnas já haviam sido encerradas.
O candidato também levantou questionamentos sobre os procedimentos adotados durante a apuração e afirmou que sua equipe pretende buscar esclarecimentos.
As declarações representam a posição de Flávio Bolsonaro. As alegações apresentadas pelo candidato não constituem, por si só, comprovação de irregularidade capaz de invalidar o resultado eleitoral.
A decisão sobre a ampliação do horário de votação foi tomada diante de relatos de dificuldades de deslocamento de eleitores. O pedido de prorrogação também havia sido apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro, embora com alcance diferente daquele inicialmente determinado pelo STF.
Após esclarecimentos sobre a impossibilidade técnica de reabrir urnas já encerradas, a extensão do horário ficou restrita às seções que permaneciam abertas às 17h.
O TSE informou que os procedimentos de recebimento dos boletins e de totalização foram retomados após as 19h.
A confirmação oficial da vitória de Lula permanece válida. Uma eventual contestação judicial deverá ser analisada pelas autoridades competentes, conforme os requisitos e procedimentos previstos na legislação eleitoral.
Daniel Vilela reconhece vitória de Lula e cobra respeito aos estados
Em Goiás, Daniel Vilela reconheceu o resultado do segundo turno, apesar de seu grupo político ter apoiado a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Durante declaração à imprensa, o governador afirmou que a vontade manifestada pelos eleitores deve ser respeitada.
Daniel lembrou que, no primeiro turno, seu grupo apoiou Ronaldo Caiado, por considerar que a candidatura representava uma alternativa para o país. Na disputa final, a aliança política passou a apoiar Flávio Bolsonaro.
Mesmo após a derrota do candidato apoiado pelo grupo, o governador reconheceu a decisão das urnas e defendeu que a relação entre o governo federal e os estados seja conduzida de maneira institucional.
Daniel afirmou esperar mudanças na política econômica, com responsabilidade fiscal, e defendeu que administrações estaduais não sejam prejudicadas por divergências partidárias.
O governador também manifestou preocupação com o endividamento da população e com a situação econômica brasileira, apresentando essas questões como desafios para o próximo mandato presidencial.
Em relação a Goiás, Daniel declarou que seu governo continuará executando o planejamento estadual e buscará apoio e recursos federais para atender às necessidades dos goianos.
A manifestação ocorreu ao lado de lideranças políticas que participaram da campanha presidencial e representa uma posição diferente daquela anunciada por Flávio Bolsonaro sobre o reconhecimento da eleição.
O que acontece após o segundo turno das Eleições 2026?
Com a totalização dos votos, Lula foi confirmado pela Justiça Eleitoral como presidente reeleito, após conquistar seu quarto mandato presidencial nas urnas.
O processo eleitoral seguirá as etapas legais previstas para a formalização dos resultados e a diplomação dos eleitos.
A contestação anunciada por Flávio Bolsonaro poderá gerar novos procedimentos judiciais, caso seja efetivamente apresentada. Qualquer pedido deverá ser examinado pelas instituições competentes, sem alterar automaticamente o resultado proclamado.
No campo político, a formação das alianças para o próximo mandato e a relação entre o governo federal, o Congresso Nacional e os estados estarão entre os principais assuntos após a eleição.
Em Goiás, o posicionamento de Daniel Vilela indica que, embora seu grupo tenha apoiado a candidatura derrotada, a administração estadual pretende manter interlocução com o governo federal e cobrar atendimento às demandas do estado.
O Portal Panorama acompanhou os pronunciamentos de Kassio Nunes Marques, Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro e Daniel Vilela. As declarações integram a cobertura especial do segundo turno das Eleições 2026.





