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Melhorias em infraestrutura, aumento da segurança no campo e ampliação de crédito rural marcam abertura da 18ª edição da TECNOSHOW COMIGO

Presidente da Comigo, Antonio Chavaglia, reclamou das altas taxas de juros para o pré-custeio da safra

Avanços em infraestrutura e logística, aumento da segurança no campo, ampliação do crédito para o produtor rural e a necessidade urgente da aprovação da reforma da Previdência foram alguns dos temas abordados durante a abertura da 18ª edição da Tecnoshow Comigo nesta segunda, 8 de abril, em Rio Verde (GO). Primeiro a discursar, o presidente da Comigo, Antonio Chavaglia, comentou sobre as recentes perdas dos produtores rurais, que impõem dificuldades financeiras no acesso ao crédito. Falando diretamente à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, presente no evento, o presidente da Comigo reclamou das altas taxas de juros para o pré-custeio da safra e pediu mais atenção ao setor do agronegócio. “Nem todo mundo tem condições de investir. Tem uma parte do estado de Goiás, do Brasil que houve perda de safra. Essas pessoas estão com dívidas e não têm condições de pegar crédito para investimento”, afirma.

A ministra Tereza Cristina defendeu, somos solução desta problemática, a expansão do seguro rural impulsionada pela subvenção por parte das instituições financeiras. “Por que os bancos não aplicam nisso? Porque é uma atividade de risco e eles não querem colocar o dinheiro a juros compatíveis com a nossa atividade. O seguro rural maior traria mais instituições aportando dinheiro no crédito rural com juros mais apropriados para o agronegócio”, justifica. E acrescentou: “A nossa briga é muito maior para aumentar essa subvenção do seguro do que ter esses R$ 220 bilhões (Plano Safra) que acaba sendo gráfico. Isso não atende o agronegócio, é um terço do que precisamos, que é em torno de R$ 600 bilhões”. Tereza Cristina afirmou que está em fase adiantada a conclusão do Plano Safra 2019/2020, importante para “dar previsibilidade aos produtores” será lançado em 1º de junho.

O deputado federal e presidente da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, cobrou do governo federal maior aporte de recursos para o fortalecimento do seguro rural. Referindo-se a críticas, ele contesta que sejam altas as subvenções para fomentar o benefício. “São os menores dos países que compõem a OCDE. Pouco mais de R$ 10 bilhões que são para equalizar juros e para o nosso seguro rural. Eu espero que com o seu mandato a gente consiga fazer o seguro rural avançar”, cobra.

Segurança no campo
O governador Ronaldo Caiado disse que vai investir em segurança na zona rural de Goiás, por meio da ampliação do Programa Patrulha Rural. “Vamos fazer o georreferenciamento de todas as propriedades. Nós teremos um centro de controle em Goiânia e qualquer mensagem repassada ou qualquer telefonema, vamos acionar as viaturas mais próximas e vamos combater para valer o crime que está invadindo o setor rural. Vamos dar segurança ao produtor rural. É meu compromisso”, assegurou.

Presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes, falou sobre a necessidade de mobilização e apoio conjunto da classe de produtores rurais para aprovação da reforma da Previdência, que se apresenta como entrave ao crescimento da economia brasileira em decorrência do déficit – 195,2 bilhões em 2018. “Não é questão eleitoral. A conta não fecha. Eu estou pedindo para que os 15 milhões de cooperados conversem cm seus deputados com seus senadores para que conscientemente a gente acelere o passo dessas reformas. É uma questão de nacionalidade”, conclama.

Infraestrutura precária ainda é gargalo para desenvolvimento do agronegócio

O presidente da Comigo, Antonio Chavaglia, aproveitou para apresentar os gargalos que comprometem o desempenho do agronegócio em Rio Verde e na região Centro-Oeste como um todo. Ele mencionou as más condições da BR-152, que liga Rio Verde à Itumbiara. “É um problema sério que temos a região. Passam por dia aqui 5,2 mil carretas e 2,2 mil carros. A estrada está intransitável, não tem condições de passar”, reclama.

Chavaglia também cobra o pleno funcionamento da Ferrovia Norte-Sul, licitada no último dia 28 de março. “Eu tenho esperança que realmente a coisa venha a acontecer, não só terminar a ferrovia, mas que tenha os vagões para poder transportar. Não adianta estar pronta e não ter a gestão e o potencial para atender todas as necessidades de álcool, grãos, açúcar, petróleo”.

Ele ainda reclamou da tabela de fretes, acordo firmado pelo governo com os caminhoneiros que protagonizaram paralisação de quase um mês em 2018, que tem penalizado “não só o setor do agronegócio, mas toda a sociedade”. De acordo com ele, os insumos têm chegado muito caros e o transporte ferroviário poderá gerar estabilidade nos preços dos fretes para que os produtores rurais tenham segurança na hora de fechar contrato com as transportadoras com vistas às exportações.

Ferrovia

Os trilhos da Ferrovia Norte-Sul que cortam o Estado de Goiás devem finalmente transportar as mercadorias a contento em dois anos, e, daqui a quatro anos, haverá uma integração com um novo trecho anunciada nesta segunda (8) por Caiado. “O ministro do Transporte Tarcísio, ao conceder a extensão por mais 30 anos de toda parte também da Vale do Rio Doce, fez com que a contrapartida fosse uma ferrovia que liga a cidade entre Mara Rosa e Campinorte até Água Boa, no Mato Grosso, ou seja, nós teremos uma ferrovia de 300 quilômetros pegando toda a região leste do Mato Grosso, Norte, Vale do Araguaia se juntando na Ferrovia Norte-sul”, revelou.

Sobre a situação da malha viária, Caiado afirmou ter assumido o Estado de Goiás com cinco mil quilômetros de rodovias intransitáveis e que, como medida de curto prazo, tem realizado convênios com prefeituras para a recuperação da malha local. O prefeito de Rio Verde, Paulo do Vale, anunciou que, a partir de agosto, terão início as obras de construção da Plataforma Multimodal da cidade, com integração com a Ferrovia Norte-Sul. A obra será executada mediante Parceria Público-Privada (PPP). “Conseguimos junto à Valec o direito de acesso à ferrovia. Estamos com projeto pré-aprovado. A nossa plataforma vai gerar um novo volume de cargas com cinco mil carretas para o Porto de Santos”, ressaltou.

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