Mel de abelhas sem ferrão pode chegar a R$ 600 o litro e conquista mercado pela raridade

Enquanto o mel tradicional é facilmente encontrado em supermercados, uma variedade produzida por abelhas sem ferrão vem chamando a atenção pelo alto valor de mercado. Em algumas regiões do Brasil, o litro do produto pode alcançar até R$ 600, impulsionado pela baixa oferta, pelo manejo especializado e pelas características únicas de sabor e composição.
Produzido por espécies nativas brasileiras, como jataí, mandaçaia e uruçu, o chamado mel de abelhas sem ferrão é resultado da atividade de colônias muito menores que as das abelhas africanizadas utilizadas na apicultura convencional. Enquanto uma colmeia tradicional pode produzir dezenas de quilos de mel por ano, muitas espécies nativas geram apenas alguns litros anuais, o que reduz significativamente a oferta do produto.
Além da produção limitada, a criação dessas abelhas exige conhecimento técnico e manejo cuidadoso. Os enxames possuem menor número de indivíduos e armazenam o mel em pequenos potes de cerume, tornando a extração mais delicada e trabalhosa do que no sistema convencional. Esse processo contribui para elevar os custos e, consequentemente, o preço final pago pelo consumidor.
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Outro diferencial está nas características do próprio mel. O produto apresenta sabor mais complexo, levemente ácido e aromático, além de possuir maior teor de umidade e diferentes compostos naturais quando comparado ao mel produzido pela abelha Apis mellifera. Essas particularidades fazem com que seja bastante valorizado na gastronomia e por consumidores que buscam alimentos diferenciados.
Especialistas destacam ainda que as abelhas sem ferrão desempenham papel fundamental na polinização de espécies nativas e agrícolas, contribuindo diretamente para a conservação da biodiversidade e para o aumento da produtividade de diversas culturas. O crescimento da meliponicultura também representa uma alternativa de renda para pequenos produtores rurais, principalmente em propriedades voltadas à agricultura familiar.
Em estados com forte vocação para o agronegócio, como Goiás, a criação de abelhas nativas vem despertando interesse de produtores que buscam diversificar a atividade rural e agregar valor à produção. A tendência acompanha a crescente procura por alimentos artesanais, sustentáveis e de origem controlada, ampliando o mercado para um produto considerado raro e de alto valor agregado.








