Genoma de peixe brasileiro é mapeado e pode impulsionar a aquicultura

Uma pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) avançou no conhecimento genético de uma espécie de peixe nativa do Brasil. Pesquisadores realizaram o mapeamento do genoma da pirapitinga, criando uma base que pode contribuir para o desenvolvimento da aquicultura brasileira.
O estudo estruturou o genoma da espécie em nível cromossômico e alcançou 99,8% de completude. A partir dessas informações, os cientistas poderão investigar genes relacionados a características importantes para a produção, como crescimento, reprodução, resistência a doenças e tolerância ao calor.
O trabalho é conduzido pela pesquisadora Ivana Felipe da Rosa, em colaboração com pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências da Pesca. A investigação ganhou força durante o período em que a cientista realiza pós-doutorado na China.
A escolha da pirapitinga também está relacionada à presença da espécie no mercado chinês. O peixe é próximo geneticamente do pacu e já é criado na China, o que tornou o mapeamento uma ferramenta importante para ampliar o conhecimento sobre a espécie.
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Pesquisa pode ajudar no melhoramento genético
O genoma funciona como uma espécie de mapa das informações genéticas de um organismo. Com ele, pesquisadores conseguem localizar genes e estudar como determinadas características são formadas e transmitidas.
No caso da pirapitinga, a expectativa é que esse conhecimento ajude futuramente em programas de melhoramento genético. A intenção é selecionar características desejáveis para a produção, como maior resistência a doenças, melhor desempenho de crescimento e adaptação a diferentes condições de temperatura.
A pesquisa, porém, não significa aumento imediato da produção. O mapeamento representa uma etapa de base científica que poderá ser utilizada em estudos futuros e em programas de melhoramento.
Os conhecimentos obtidos também podem contribuir para pesquisas envolvendo outras espécies nativas brasileiras.
Brasil ainda depende de espécies não nativas
O avanço ganha importância diante da diversidade de peixes de água doce existente no Brasil. Apesar disso, ainda são poucos os genomas de espécies brasileiras completamente disponíveis para estudos.
Segundo informações apresentadas na pesquisa, cerca de 65% da produção aquícola brasileira é formada por espécies não nativas. A tilápia, de origem africana, é um dos principais exemplos.
O fortalecimento do conhecimento genético de espécies brasileiras pode ampliar as alternativas disponíveis para os produtores.
A estratégia também pode ajudar a reduzir a dependência de espécies introduzidas e diminuir riscos ambientais associados à presença de peixes não nativos em determinados ecossistemas.
China mostra potencial da aquicultura
A parceria entre pesquisadores brasileiros e chineses também evidencia diferenças entre os dois países no desenvolvimento da aquicultura.
A China é líder mundial na produção de peixes de cultivo. Em 2023, a produção aquícola chinesa ultrapassou 55 milhões de toneladas, enquanto o Brasil produziu cerca de 792 mil toneladas no mesmo período.
O intercâmbio científico pode permitir que o Brasil avance no uso de ferramentas genéticas e tecnológicas aplicadas à produção de espécies nativas.
Pesquisadores também avaliam o potencial do uso de inteligência artificial em programas de melhoramento genético, ampliando as possibilidades de seleção de características importantes para a aquicultura.
Potencial para o agronegócio brasileiro
O desenvolvimento de tecnologias voltadas à criação de espécies nativas pode abrir novas possibilidades para a aquicultura brasileira.
Para regiões produtoras, como o Sudoeste Goiano, o avanço do setor representa uma oportunidade de diversificação das atividades ligadas ao agronegócio. A produção de peixes pode integrar cadeias já consolidadas na região e aproveitar estruturas e conhecimentos existentes no campo.
A pesquisa da Unesp ainda está no campo científico, mas o mapeamento do genoma cria uma ferramenta importante para os próximos passos.
Com mais informações sobre as características genéticas dos peixes brasileiros, pesquisadores e produtores poderão trabalhar no desenvolvimento de espécies mais adaptadas, produtivas e resistentes.
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