FOMO: medo de “ficar de fora” cresce com redes sociais e impacta saúde mental

FOMO: medo de “ficar de fora” cresce com redes sociais e impacta saúde mental

O termo FOMO, sigla em inglês para fear of missing out — ou “medo de estar perdendo algo”, em tradução livre — tem se tornado cada vez mais presente no cotidiano, especialmente entre usuários de redes sociais no Brasil.

A expressão descreve a sensação de que algo importante está acontecendo enquanto a pessoa está desconectada. No dia a dia, esse comportamento aparece na necessidade constante de checar notificações, acompanhar tendências, responder mensagens rapidamente e na ansiedade gerada ao ficar longe do celular.

Segundo especialistas, o fenômeno tem impacto direto na saúde mental e vem se intensificando com o avanço das plataformas digitais, inclusive em cidades do interior, como em Jataí e região sudoeste de Goiás, onde o uso de redes sociais cresce de forma significativa.

O psicólogo Yuri Busin, especialista em Neurociência do Comportamento, explica que o ambiente digital favorece esse tipo de comportamento ao oferecer estímulos contínuos.

“As redes sociais trazem muitas informações ao mesmo tempo. Cada curtida, mensagem ou atualização gera uma sensação de prazer para o cérebro, o que pode levar à dependência desse estímulo e ao medo constante de perder algo importante”, afirma.

Apesar da popularização recente do termo, o sentimento não é novo. O psiquiatra Luiz Scocca destaca que o desejo de pertencimento faz parte da natureza humana.

“O desejo de fazer parte de um grupo é inerente ao ser humano. As redes sociais intensificaram isso ao expor versões idealizadas da vida das pessoas, favorecendo comparações e sensação de exclusão”, explica.

De acordo com os especialistas, o problema vai além do tempo de uso das redes. O ponto central está na forma como o cérebro reage aos estímulos constantes. Plataformas digitais exploram mecanismos ligados à recompensa, principalmente a liberação de dopamina, neurotransmissor associado ao prazer.

Esse processo pode manter o cérebro em estado de alerta contínuo. Como consequência, a pessoa pode sentir inquietação ao se desconectar e desenvolver a sensação de estar ficando para trás.

Entre os principais impactos do FOMO estão ansiedade, dificuldade de concentração, queda da autoestima e sensação frequente de insatisfação.

Diante desse cenário, especialistas recomendam atenção ao uso excessivo das redes sociais e destacam a importância de estabelecer limites no consumo digital, buscando equilíbrio para preservar a saúde emocional.

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Gessica Vieira

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