Exportações de algodão baiano crescem 1.350% em três safras e elevam custos do setor

As exportações de algodão baiano registraram crescimento de 1.350% em três safras, segundo dados do setor, com o volume passando de 545 contêineres na safra 2022/2023 para 7.914 na safra 2025/2026. O avanço ocorre no Oeste da Bahia, principal polo produtor da fibra no Brasil, e reforça a posição do país no mercado global de algodão, ao mesmo tempo em que amplia desafios ligados a custos de produção, logística e competitividade.
O aumento do escoamento pelo Tecon Salvador acompanha a expansão da área cultivada, que chegou a 417,9 mil hectares na safra mais recente, consolidando o estado como o segundo maior produtor de algodão do país, atrás apenas de Mato Grosso.
Crescimento das exportações e destino da produção
O fluxo de exportação da pluma baiana teve expansão acelerada em três safras, com Bangladesh e China entre os principais destinos do produto. Juntos, os dois países lideram as compras do algodão produzido no estado, que abastece indústrias têxteis internacionais.
O avanço é apontado pelo setor como resultado direto do aumento de produtividade e da consolidação da produção no Oeste baiano, que mantém forte presença no mercado externo.
Custos de produção e pressão sobre a rentabilidade
Apesar do crescimento das exportações, produtores relatam aumento da pressão sobre as margens de lucro. Segundo depoimentos do setor, fatores como juros elevados, carga tributária e custos de insumos impactam diretamente a atividade.
A dependência de fertilizantes importados também é citada como um dos principais pontos de atenção, em um cenário em que parte significativa desses insumos chega a mais de 90% de origem externa.
Além disso, a alta dos combustíveis e o aumento do frete influenciam diretamente os custos logísticos do escoamento da produção.
Logística e capacidade de escoamento
O crescimento do volume exportado não foi acompanhado na mesma proporção pela infraestrutura logística, segundo avaliação do setor produtivo. O escoamento da pluma depende de operadores retroportuários e da capacidade de movimentação de contêineres no terminal portuário.
Atualmente, a operação na região trabalha com capacidade de estufagem estimada em 167 contêineres por dia, enquanto o aumento da produção pressiona a cadeia logística.
Energia, mercado livre e redução de custos
Diante do cenário de custos elevados, o mercado livre de energia passou a ser apontado como alternativa para redução de despesas no setor produtivo. Segundo dados apresentados por empresas do setor energético, a migração pode gerar redução de até 30% nos custos de energia para consumidores já inseridos no modelo.
O sistema permite que produtores e empresas negociem diretamente contratos de fornecimento, com maior previsibilidade de custos ao longo das safras.
Sustentabilidade e rastreabilidade como diferencial
Outro ponto destacado pelo setor é o avanço da rastreabilidade e da certificação ambiental da produção. A energia utilizada em parte da cadeia produtiva conta com certificação de origem renovável, o que permite comprovação de redução de emissões de gases de efeito estufa.
O uso desses certificados é apontado como fator estratégico para atender exigências do mercado internacional, especialmente no setor têxtil, que tem ampliado critérios de sustentabilidade na compra de matéria-prima.
O setor avalia que o crescimento da área plantada no Oeste baiano pode continuar nos próximos anos, dependendo da evolução do manejo agrícola, das condições climáticas e do equilíbrio entre custos e produtividade.
Foto: Reprodução
Jornalismo Portal Pn7
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