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Demanda por etanol aumenta, mas usinas abastecidas podem limitar preço do milho

Conab prevê alta de 6,6% no consumo, mas estoques e compras mais lentas preocupam produtores.

Demanda por etanol cresce, mas usinas abastecidas podem limitar recuperação dos preços do milho em 2027

Conab projeta aumento de 6,6% no consumo interno do cereal na safra 2026/27; estoques elevados e compras industriais mais lentas podem dificultar a comercialização.

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O crescimento da indústria brasileira de etanol de milho deve ampliar o consumo interno do cereal na safra 2026/27. Apesar disso, a expansão da demanda não significa necessariamente uma recuperação dos preços no curto prazo. Com parte das usinas já abastecida e produtores mantendo estoques à espera de melhores cotações, o mercado pode enfrentar um início de 2027 com menor pressão compradora.

No primeiro levantamento da safra brasileira de grãos 2026/27, divulgado em outubro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou aumento de 6,6% no consumo interno de milho, impulsionado principalmente pela produção de etanol. A estatal também estima que os estoques de passagem da temporada 2025/26 devem chegar a aproximadamente 16 milhões de toneladas em fevereiro de 2027.

O cenário chama a atenção para uma diferença importante: embora o consumo de milho esteja crescendo, as indústrias não precisam necessariamente comprar todo o volume adicional de imediato.

Usinas já apresentam cobertura de matéria-prima

Em avaliação sobre o mercado, Chau Hue, Head de Inteligência de Mercados da Stag Securities, afirmou que as usinas de etanol de milho já apresentam cobertura de matéria-prima até aproximadamente março ou início de abril de 2027.

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Segundo o analista, essa condição pode reduzir a necessidade de novas compras nos primeiros meses do próximo ano. O cenário é diferente do observado na virada de 2025 para 2026, quando a demanda das indústrias contribuiu para absorver parte dos estoques mantidos pelos produtores.

A avaliação representa uma estimativa da Stag Securities e não um levantamento consolidado da posição de abastecimento de todas as indústrias brasileiras.

Estoques e custos dificultam a comercialização

A analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, Yedda Monteiro, também apontou que consumidores domésticos, incluindo indústrias de proteína animal e de etanol, estavam relativamente abastecidos para novembro e o início de dezembro.

Com menor necessidade imediata de compras, parte dos compradores demonstra menos interesse em negociar nos preços pretendidos pelos vendedores. Enquanto isso, alguns produtores continuam segurando o milho à espera de valorização.

Essa estratégia, entretanto, envolve custos. Despesas com armazenagem, logística e a necessidade de liberar espaço para a próxima colheita de soja precisam entrar no planejamento financeiro das propriedades.

A decisão de manter os grãos armazenados depende, portanto, não apenas da expectativa de preços melhores, mas também da capacidade de suportar os custos até o momento da venda.

Exportações brasileiras enfrentam concorrência

Outro fator que pode limitar a recuperação das cotações é o desempenho das exportações. Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócios, avaliou que o milho brasileiro vinha enfrentando dificuldades para conquistar compradores internacionais.

Segundo o analista, os compromissos de exportação estavam próximos de 27 milhões de toneladas. A estimativa apresentada por ele era de que os embarques brasileiros poderiam terminar o ano comercial entre 37 milhões e 38 milhões de toneladas, abaixo dos volumes anteriormente esperados pelo setor.

A concorrência internacional também pesa sobre o mercado. Estados Unidos e Argentina disputam compradores com o Brasil, enquanto a maior disponibilidade de milho norte-americano e os ajustes nos diferenciais de preços podem limitar a recuperação das cotações na Bolsa de Chicago e dos prêmios brasileiros.

Outro ponto destacado por Palavro é a disponibilidade de trigo com qualidade comprometida para alimentação animal. Em determinadas regiões, esse cereal passa a disputar espaço com o milho na fabricação de rações, aumentando a concorrência entre os ingredientes.

Conab projeta produção de 148 milhões de toneladas

Do lado da oferta, a Conab estima que a produção brasileira de milho na safra 2026/27 poderá alcançar 148 milhões de toneladas, crescimento de 2,4% em relação ao ciclo anterior.

O resultado dependerá das condições de desenvolvimento das lavouras, mas a projeção indica que o aumento do consumo poderá ser acompanhado por uma disponibilidade elevada de cereal.

O ritmo da colheita da soja também será importante para o planejamento da segunda safra de milho. Caso a retirada da oleaginosa aconteça dentro da janela esperada, o plantio do cereal poderá avançar em condições favoráveis. Atrasos e problemas climáticos, por outro lado, podem alterar as perspectivas de produção.

Produtor precisa acompanhar o momento de venda

A expansão da indústria de etanol representa um fator importante para o crescimento do consumo de milho no Brasil. No entanto, o impacto sobre os preços depende de outros elementos, como o abastecimento das usinas, o ritmo das exportações, os estoques disponíveis e a entrada da nova safra.

Para os produtores que ainda mantêm cereal armazenado, o cenário exige atenção aos custos e às oportunidades de comercialização.

As avaliações dos analistas não indicam ausência de demanda pelo milho brasileiro. O principal alerta é que o crescimento previsto do consumo ao longo da safra 2026/27 pode não se transformar em compras imediatas suficientes para sustentar a recuperação dos preços no início de 2027.