AGORAVer todas

El Niño pode encarecer alimentos e pressionar inflação no Brasil

Fenômeno climático pode afetar produção e elevar preços nos próximos meses

A possível intensificação do El Niño acende um novo alerta para o mercado de alimentos no Brasil. Projeções econômicas indicam que o fenômeno climático pode reduzir a oferta de alguns produtos e provocar pressão sobre os preços ao consumidor nos próximos meses.

PUBLICIDADE
Semana Nacional de Trânsito 2026

Um estudo do Rabobank aponta que os alimentos in natura podem registrar aumento próximo de 20% em um cenário de El Niño forte. O impacto, porém, é uma projeção baseada em episódios anteriores e não significa que todos os produtos terão essa mesma alta.

Entre os produtos mais sensíveis estão hortaliças e carnes. Esses segmentos podem reagir mais rapidamente a alterações na oferta provocadas por períodos de seca, excesso de chuva e mudanças nas condições de produção.

Clima pode afetar produção agrícola

O El Niño ocorre quando há um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse fenômeno modifica os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.

No Brasil, os efeitos não são iguais em todas as áreas. O Sul pode enfrentar períodos de chuva mais intensa, enquanto outras regiões podem registrar condições mais secas. No Centro-Oeste e no Sudeste, a irregularidade das chuvas pode dificultar o planejamento das atividades agrícolas.

PUBLICIDADE

Para o produtor rural, alterações no clima podem significar aumento de custos, necessidade de adaptação do manejo e maior risco de perdas. Quando a produção diminui, a oferta disponível no mercado também pode ser afetada.

Pressão pode chegar ao consumidor

O efeito sobre os preços tende a ocorrer de forma gradual. Segundo as projeções do Rabobank, o impacto máximo sobre os alimentos pode aparecer aproximadamente seis meses depois dos primeiros choques climáticos.

Além dos produtos in natura, os efeitos podem alcançar outros segmentos da cadeia de alimentos. A menor oferta de grãos, por exemplo, pode aumentar os custos de alimentação animal e influenciar os preços de proteínas.

Economistas também avaliam que uma alta mais persistente dos alimentos pode dificultar o processo de desinflação no país. Estimativas divulgadas anteriormente apontam que a alimentação no domicílio pode sofrer pressão relevante em um ano marcado pelo El Niño.

Impacto para Goiás

Em Goiás, a evolução do fenômeno é acompanhada de perto pelo setor agropecuário. O estado tem forte participação na produção de grãos e proteínas, e alterações no regime de chuvas podem interferir no planejamento das lavouras e na formação dos custos.

Para o Sudoeste Goiano, uma das principais regiões produtoras do estado, o comportamento do clima será especialmente importante durante o calendário agrícola. Jataí e outros municípios da região concentram atividades ligadas à produção de soja, milho e pecuária.

Apesar das projeções de alta, o comportamento dos preços dependerá da intensidade do fenômeno, das condições das lavouras, dos estoques e da capacidade dos produtores de se adaptarem às mudanças climáticas.

O cenário, portanto, ainda envolve incertezas. O principal alerta dos economistas é que um El Niño mais intenso pode transformar um problema climático em uma pressão adicional sobre o custo da alimentação e, consequentemente, sobre a inflação brasileira.