El Niño pode encarecer alimentos e pressionar inflação no Brasil

A possível intensificação do El Niño acende um novo alerta para o mercado de alimentos no Brasil. Projeções econômicas indicam que o fenômeno climático pode reduzir a oferta de alguns produtos e provocar pressão sobre os preços ao consumidor nos próximos meses.
Um estudo do Rabobank aponta que os alimentos in natura podem registrar aumento próximo de 20% em um cenário de El Niño forte. O impacto, porém, é uma projeção baseada em episódios anteriores e não significa que todos os produtos terão essa mesma alta.
Entre os produtos mais sensíveis estão hortaliças e carnes. Esses segmentos podem reagir mais rapidamente a alterações na oferta provocadas por períodos de seca, excesso de chuva e mudanças nas condições de produção.
Clima pode afetar produção agrícola
O El Niño ocorre quando há um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse fenômeno modifica os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.
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No Brasil, os efeitos não são iguais em todas as áreas. O Sul pode enfrentar períodos de chuva mais intensa, enquanto outras regiões podem registrar condições mais secas. No Centro-Oeste e no Sudeste, a irregularidade das chuvas pode dificultar o planejamento das atividades agrícolas.
Para o produtor rural, alterações no clima podem significar aumento de custos, necessidade de adaptação do manejo e maior risco de perdas. Quando a produção diminui, a oferta disponível no mercado também pode ser afetada.
Pressão pode chegar ao consumidor
O efeito sobre os preços tende a ocorrer de forma gradual. Segundo as projeções do Rabobank, o impacto máximo sobre os alimentos pode aparecer aproximadamente seis meses depois dos primeiros choques climáticos.
Além dos produtos in natura, os efeitos podem alcançar outros segmentos da cadeia de alimentos. A menor oferta de grãos, por exemplo, pode aumentar os custos de alimentação animal e influenciar os preços de proteínas.
Economistas também avaliam que uma alta mais persistente dos alimentos pode dificultar o processo de desinflação no país. Estimativas divulgadas anteriormente apontam que a alimentação no domicílio pode sofrer pressão relevante em um ano marcado pelo El Niño.
Impacto para Goiás
Em Goiás, a evolução do fenômeno é acompanhada de perto pelo setor agropecuário. O estado tem forte participação na produção de grãos e proteínas, e alterações no regime de chuvas podem interferir no planejamento das lavouras e na formação dos custos.
Para o Sudoeste Goiano, uma das principais regiões produtoras do estado, o comportamento do clima será especialmente importante durante o calendário agrícola. Jataí e outros municípios da região concentram atividades ligadas à produção de soja, milho e pecuária.
Apesar das projeções de alta, o comportamento dos preços dependerá da intensidade do fenômeno, das condições das lavouras, dos estoques e da capacidade dos produtores de se adaptarem às mudanças climáticas.
O cenário, portanto, ainda envolve incertezas. O principal alerta dos economistas é que um El Niño mais intenso pode transformar um problema climático em uma pressão adicional sobre o custo da alimentação e, consequentemente, sobre a inflação brasileira.
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