AGORAVer todas

Chuvas atrasam moagem da cana e desafiam usinas em 2026/27

As chuvas prolongaram a moagem da cana-de-açúcar no Centro-Sul e desafiam o planejamento das usinas na safra 2026/2027. Estimativas da Datagro apontam atrasos operacionais, redução na produção de açúcar e crescimento do etanol. A umidade excessiva também exige cuidados para preservar o solo e a produtividade dos próximos ciclos.

As chuvas têm dificultado a colheita da cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil e pressionado o calendário de moagem das usinas na safra 2026/2027. Segundo estimativas da consultoria Datagro, apresentadas em 26 de outubro, as unidades acumularam 28,6 dias de operação perdidos, acima da média histórica de 13,6 dias.

PUBLICIDADE
Semana Nacional de Trânsito 2026

Diante dos atrasos, parte das usinas planeja estender a moagem até a segunda quinzena de dezembro. A Datagro projeta o processamento de 640,5 milhões de toneladas de cana no ciclo e estima que 34 milhões de toneladas permaneçam no campo até 31 de março de 2027, para processamento na safra seguinte.

Umidade exige atenção no campo

As previsões associadas ao El Niño indicam maior probabilidade de chuvas acima da média no Sul e em parte do Sudeste. O excesso de umidade pode dificultar o tráfego de máquinas, aumentar a compactação do solo e prejudicar as soqueiras, estruturas responsáveis pela rebrota da cana após o corte.

Esses fatores podem comprometer o desenvolvimento das raízes e afetar a produtividade dos próximos ciclos. Por isso, acompanhar as previsões meteorológicas locais e adequar as operações às condições do solo são medidas importantes para produtores e usinas.

Açúcar recua e etanol avança

Na indústria, a estimativa da Datagro é de produção de 38,42 milhões de toneladas de açúcar no Centro-Sul, uma queda de 5% em relação à temporada anterior.

PUBLICIDADE

Já a produção de etanol de cana e milho pode alcançar 37,21 bilhões de litros, alta de 10,4%. Desse total, o etanol de milho deve responder por 10,15 bilhões de litros, refletindo a expansão desse segmento e a maior destinação de cana para a produção de biocombustível.

O resultado final da safra dependerá das condições climáticas, do andamento da colheita e da capacidade operacional das unidades. O desafio é aproveitar a produção atual sem comprometer o potencial das próximas safras.