VÍDEO | Anúncios leem sua mente? Entenda como os algoritmos sabem o que pode interessar a você

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Anúncios leem sua mente? Entenda como a internet consegue prever seus interesses

Você já pesquisou um produto na internet e, pouco depois, começou a receber anúncios sobre ele? Procurou uma viagem, viu hotéis e passagens e, de repente, esses assuntos apareceram no seu feed?

Essa situação pode dar a impressão de que os anúncios estão “lendo” nossos pensamentos. Mas, na prática, a explicação está no uso de dados, algoritmos e padrões de comportamento.

A internet observa sinais

Pesquisas, vídeos assistidos, sites visitados, aplicativos utilizados e interações com conteúdos e anúncios podem formar um conjunto de sinais sobre os interesses de uma pessoa.

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Imagine alguém que passa alguns dias pesquisando viagens. Ela procura hotéis, compara passagens, vê fotos de praias e assiste a vídeos sobre determinado destino. Para o usuário, são apenas ações separadas. Para um sistema de publicidade, elas podem formar um padrão.

A partir desses sinais, plataformas podem tentar identificar quais assuntos têm maior possibilidade de interessar a cada pessoa.

O Google, por exemplo, explica que anúncios personalizados podem considerar atividades como pesquisas realizadas, vídeos assistidos no YouTube, aplicativos utilizados e interações com conteúdos e anúncios, além de uma área geral em que a pessoa utiliza os serviços.

Isso não significa que o sistema saiba exatamente o que alguém está pensando. A lógica está mais próxima de uma previsão baseada em comportamento.

O algoritmo tenta prever o que pode chamar sua atenção

A publicidade digital não precisa necessariamente saber que uma pessoa pretende comprar determinado produto. Basta identificar sinais que indiquem uma possibilidade maior de interesse.

É parecido com um amigo que conhece seus hábitos. Se você começa a falar sobre uma viagem, ele pode imaginar que você está planejando viajar. Os algoritmos fazem algo semelhante, mas analisando uma quantidade muito maior de sinais.

Uma pesquisa realizada pelo Pew Research Center nos Estados Unidos mostrou que 77% dos adultos entrevistados haviam ouvido pelo menos alguma coisa sobre empresas utilizarem dados pessoais para oferecer publicidade direcionada, promoções ou outros serviços.

Entre aqueles que conheciam esse tipo de prática, muitos também disseram encontrar anúncios baseados em seus dados com alguma frequência.

Isso ajuda a entender por que a sensação de estar sendo “seguido” pela publicidade é tão comum.

Mas isso significa que as conversas estão sendo ouvidas?

Não necessariamente.

O Google afirma que não utiliza o conteúdo de e-mails, conversas telefônicas ou arquivos do Google Drive para personalizar anúncios. A empresa também afirma que informações consideradas sensíveis, como religião, raça ou orientação sexual, não são utilizadas para direcionar publicidade.

Por isso, quando um anúncio parece específico demais, existem outras explicações possíveis.

A pessoa pode ter pesquisado aquele assunto, assistido a um vídeo relacionado, visitado um site, interagido com determinado conteúdo ou simplesmente estar em um contexto considerado relevante pelo sistema.

Uma espécie de quebra-cabeça digital

Os anúncios também não precisam estar relacionados somente ao que aconteceu naquele exato momento.

Imagine que alguém pesquisou “tênis de corrida” ontem. No dia seguinte, essa pessoa entra em uma página sobre esportes e encontra um anúncio de tênis.

A pesquisa anterior pode ser uma peça. O conteúdo acessado pode ser outra. A localização aproximada pode ser mais uma. As interações anteriores também podem entrar nessa combinação.

Isoladamente, cada sinal pode dizer pouco. Juntos, eles podem ajudar o sistema a fazer uma previsão mais precisa.

Nem todo anúncio é personalizado

Existe ainda outro detalhe: alguns anúncios são exibidos sem depender de um perfil detalhado do usuário.

Os chamados anúncios não personalizados podem considerar fatores contextuais, como o assunto da página, o horário ou uma localização geral.

Por exemplo, uma pessoa lendo uma matéria sobre restaurantes perto do horário do almoço pode receber publicidade relacionada a comida.

Nesse caso, o sistema não precisa conhecer profundamente aquele usuário. O próprio contexto pode ser suficiente.

Por que às vezes parece que o anúncio “adivinhou”?

Existe também um fenômeno relacionado à nossa própria percepção.

Quando alguma coisa entra na nossa cabeça, passamos a prestar mais atenção nela. É parecido com quando alguém decide comprar determinado modelo de carro e, de repente, começa a perceber aquele veículo em todos os lugares.

Os carros provavelmente já estavam circulando. A diferença é que agora aquela pessoa está mais atenta a eles.

Com os anúncios pode acontecer algo semelhante. Quando determinado assunto está presente na nossa memória, uma publicidade relacionada chama muito mais atenção.

Os sistemas também aprendem com nossas interações

A publicidade digital também pode utilizar sinais gerados pelas nossas próprias ações.

Se uma pessoa ignora determinado tipo de anúncio, isso pode funcionar como um sinal. Se clica, assiste, pesquisa ou visita uma página relacionada, essas ações também podem indicar interesse.

É um processo de tentativa e aprendizado: o sistema apresenta algo, observa determinadas interações e utiliza esses sinais para orientar escolhas futuras.

Por isso, às vezes, o anúncio parece ter acertado exatamente aquilo que a pessoa queria.

Na realidade, pode ter sido uma previsão feita a partir de vários pequenos sinais.

E quanto controle temos sobre nossos dados?

Essa é uma das principais questões envolvendo a publicidade digital.

O nível de controle depende da plataforma, das configurações disponíveis e das escolhas feitas pelo usuário.

O Google, por exemplo, oferece o My Ad Center, ferramenta que permite consultar e controlar algumas preferências relacionadas à personalização de anúncios. Também existem opções para reduzir ou desativar a personalização em determinados serviços.

Isso não significa que os anúncios deixem de aparecer. Eles podem continuar sendo exibidos, mas com menor personalização e maior influência de fatores contextuais.

A internet está lendo sua mente?

Provavelmente não.

O que ela pode estar fazendo é ler sinais.

Cada pesquisa, clique, vídeo assistido e interação pode funcionar como uma pequena pista sobre aquilo que pode chamar sua atenção. Quando milhares dessas pistas são analisadas por sistemas automatizados, o resultado pode parecer impressionantemente preciso.

É por isso que aquela sensação de “eu estava pensando nisso e apareceu um anúncio” pode parecer quase sobrenatural.

Mas, na maioria das vezes, a explicação está em tecnologia, dados, estatística e comportamento humano.

E talvez a pergunta mais interessante não seja “como eles sabem o que eu estou pensando?”.

Talvez seja:

O que os meus hábitos estão dizendo sobre mim sem que eu perceba?

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Davi Martins Farias

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